A Boca do Cavalo

A Boca do Cavalo

Foto: Jacira Omena

 

Por Lúcio Sérgio Andrade*

 

Você pode não acreditar, mas a boca do cavalo é uma das regiões mais importantes.

Vejamos alguns aspectos a serem avaliados:

 Justaposição labial – Quando o cavalo apresenta o lábio inferior flácido é denominado de belfo. Além de prejudicar a estética, sendo defeito penalizante no julgamento de Morfologia, também é um defeito funcional, pois prejudica a apreensão de alimentos.  Nos julgamentos de Concursos de Marcha o animal perde pontos no quesito estilo.

 Simetria da arcada dentária – Quando o cavalo apresenta assimetria na dentição é denominado de prognata. O prognatismo pode ser inferior ou superior. O primeiro caso ocorre com mais frequência. A exemplo do defeito belfo, a apreensão de alimentos também é prejudicada. O prognatismo será menos grave se o apoio entre as arcadas dentárias for superior a 50%.

 Pontos de controle da embocadura – O bridão exerce ação principal nas comissuras labiais e ação secundária nas barras e lingua. Calosidades nas comissuras labiais sao áreas de cicatrizes de ferimentos, devido à violência nos comandos de rédeas, podendo prejudicar a sensibilidade e gerando o que se chama vulgarmente de “cavalo de queixo duro”. Quando não se permite o descanso para a condução de um tratamento adequado, pode ser desenvolvida uma calosidade na regiao do ferimento. Da mesma forma, barras também devem ser examinadas quanto à presença de sinais de cicatrizes e textura. A língua deve ser examinada quanto à textura. Quanto mais áspera, menor tende a ser a sensibilidade.

 Além destes pontos de controle anteriormente mencionados, o freio também exerce ação sobre o palato, que deve ser avaliado quanto à largura e a altura. Em uma boca de palato estreito não deve ser usado freio com a curvatura do bocal larga. Se o palato é baixo, a curvatura do bocal não deve ser alta.

 A escolha de uma embocadura não pode ser generalizada, mas sim individualizada.

Os casos frequentes de cavalos reagindo negativamente à embocadura são explicados pela escolha incorreta da embocadura.

As reações típicas de um cavalo que rejeita a embocadura são:

Abrir e fechar a boca, levantar excessivamente a cabeça (esta postura incorreta também pode ser decorrente da má flexão da nuca), oscilação lateral e “ponteiro”. Este último defeito de postura da cabeça tem sido prevalente nas apresentações em julgamentos e, principalmente, nos Concursos de Marcha, sendo comumente causado pela rigidez da nuca. Mas em alguns casos pode ser provocado pelo uso prolongado de uma embocadura que não se encaixa corretamente à boca.

 O fato é que a escolha correta da embocadura e dos momentos certos para as transições é um dos segredos da formação de um cavalo vencedor. Esta escolha depende da avaliação da boca, estágio do treinamento, da flexão vertical (nuca) e da flexão lateral (pescoço, tronco e membros).

 Pontas de dente – A ação da embocadura nos pontos de controle poderá ser direta ou indiretamente prejudicada pelas pontas de dente. Pelo menos duas vezes por ano os dentes devem ser nivelados e suas bordas arredondadas. Há um desgaste natural provocado pela mastigação de alimentos, fazendo com que a mesa dentária perca o nivelamento. Os efeitos indiretos sobre a ação da embocadura devem-se aos ferimentos nas bochechas e na lingua. O efeito direto é causado pelo chamado dente de lobo, um dente alto e pontudo, de origem vestigial na espécie equina. Quando tocado pela embocadura o animal sente desconforto. A solução é a extração. 

 As reações do cavalo aos problemas de pontas de dente são típicas:

Morder continuamente a embocadura, tentando afastá-la destas pontas de dente; erguer demasiadamente a cabeça, para tentar aliviar o desconforto; respostas mais difíceis aos comandos de rédeas e oscilação lateral da cabeça. 

 O cuidado periódico com os dentes também contribui para reduzir os distúrbios intestinais. Ao melhorar o processo da mastigação, melhora a digestão. Todo o procedimento que se faz pensando no conforto do cavalo ainda será pouco. Infelizmente, as mãos rudes de pseudo treinadores insistem em maltratar o mais nobre animal domesticado pelo homem. 


 *Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, pesquisador, especializado em raças equinas nacionais e internacionais de andamento marchado.

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