BOTAS – Equipamento ou Peça fashion?

BOTAS – Equipamento ou Peça fashion?

Foto: Jacira Omena

 

Por Jacira Omena*

 

Sei que há muito as botas transcenderam a sua função original de calçado e proteção para os pés durante a lida no campo.  

Da lida, foi para o esporte, que a propagou para a onda festiva, de moda e estilo nos grandes eventos equestres e rurais. 

Foto: cortesia Omar Calçados

Foto: cortesia Omar Calçados

 

É o mundo do hipismo, rodeio e provas de habilidades que ditam a moda. O estilo country saiu do campo e foi parar na passarela e nos palcos da vida com os cantores sertanejos. 

Foto: cortesia promocional

Foto: cortesia promocional

 No dia-a-dia, independente de uma grande fartura de modelos, estilos e materiais, continuam mantendo a principal função original – PROTEÇÃO.

Vejam o que escrevi sobre BOTAS no meu livro – VIAJAR A CAVALO: UM GUIA PASSO A PASSO.


 BOTAS (Boots) – é um equipamento de proteção pessoal, apesar de, muitas vezes parecer um item de moda do vestuário.  

 É muito importante o uso de sapatos apropriados enquanto se lida ou se monta um cavalo. 

Um bom par de botas deve proteger os pés de objetos contundentes e pisadas e evitar que os mesmos deslizem através dos estribos.

Para isso, não pode ser de um material pouco resistente; deve ter um solado aderente e um salto entre 2,5 e 3,5 centímetros. 

As botas de cavalgar diferem em:

MATERIAL 

– são fabricadas em materiais diversos: couro natural, canvas, e sintéticos. Diferem em conforto, durabilidade e cuidados de manutenção.

ESTILO 

WESTERN – tem salto alto e estreito. Parte da frente ligeiramente pontuda e às vezes com ponteira de metal. O solado é tradicionalmente de couro e não de borracha. Não tem cadarço ou fecho. E, com frequência, vem com fivelas e outros adornos. Pode ser de cano longo ou até a altura do tornozelo. São encontradas também com altura de cano até o meio da perna, mas é mais estilo de moda do que de propriedade prática, pois não exerce toda proteção necessária, e impede o uso de perneira. 

INGLÊS – dentro dessa denominação de estilo cabem vários modelos utilizados na prática de equitação em competições e nos momentos de lazer. No turismo equestre, as botas estilo inglês utilizadas são as de salto baixo e mais quadrado. Parte da frente arredondada. Solado de couro ou de borracha, macio e com ligeira aderência. Quando de cano alto, têm fecho na parte detrás ao longo de toda a perna, ou cadarço frontal sobre o peito do pé. As de cano curto, na altura do tornozelo são chamadas de Paddock quando com cadarços frontais; ou Jodhpur as com zíper no peito do pé; e, Chelsea quando com elásticos em ambas as laterais das botas. 

TAMANHO DO CANO 

LONGO – em vários materiais e estilos, as botas de cano longo são utilizadas largamente por oferecerem segurança e proteção. Em algumas atividades que necessitam de maior flexibilidade de tornozelo elas têm uso mais limitado. E, nas viagens, por seu volume maior e necessidade de acondicionamento apropriado são muitas vezes também preteridas. São utilizadas com diversos tipos de calças, mas se adequam melhor às bombachas, Jodhpur* e Breeches**. (Abaixo uma explicação sobre a diferença entre elas) viajaracavalo_horseshop-Bota-de-Couro-Twist-Zip

CURTO – muito versátil dentro de uma gama de atividades. Oferece uma leveza e flexibilidade pedida em muitas práticas equestres. Seu tamanho é muito bem-vindo na hora de empacotar os pertences para se deslocar por trilhas. Porém, não oferece o mesmo grau de proteção de uma bota cano longo e, por isso, é frequentemente utilizada em companhia de perneiras. São combinadas com os mais diversos tipos de calças, sem restrições, à exceção das Breeches**. 

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TAMANHO DO SALTO

– tem importância apenas quanto à necessidade de prevenir o deslizamento do pé através dos estribos e, para isso deve ter no mínimo entre 2,5 e 3,5 centímetros.  Já existe no mercado tipos de estribos com mecanismos que evitam esse tipo de evento. Tradicionalmente, os estribos eram fechados na parte da frente por artefatos de couro, tapaderos, o que serviam para o mesmo propósito. 

TIPO DE SOLADO

– são recomendados solados macios e com certa aderência. Solados completamente lisos facilitam a passagem do pé através do estribo na hora de montar e desmontar. Mas, por outro lado, facilita o seu deslizamento completo através dele, principalmente em botas com saltos muito baixos. Além disso, durante as trilhas, muitas vezes há a necessidade de se desmontar para atravessar trechos mais difíceis ou para trazer algum alívio para o cavalo em deslocamentos mais longos; e esse tipo de solado muito liso prejudica o caminhar por esse tipo de terreno pela mais completa falta de aderência.

TIPO DE FECHAMENTO

– algumas botas não trazem nenhum tipo de fechamento, como as do tipo western. E, por isso, devem ser bastante ajustadas para que não dificulte o calçar e descalçar.

Outras têm zíper na parte detrás, ou na lateral, ou ainda na parte frontal. E algumas apresentam cadarços na parte frontal.

A escolha é pelo conforto e facilidade de uso.viajaracavalohorseshop-botina-lace-2

O QUE LEVAR EM CONTA NA HORA DE ESCOLHER E COLOCAR NA MALA?

Na hora de escolher o tipo de bota para levar numa viagem a cavalo, o mais importante é que não seja nova, que seja sua, que seja leve, que tenha o salto e solado apropriados e que não sejam muito largas para os estribos.

Pense no conforto, mas antes de tudo na segurança.

E devido a isso, apesar de lógico, vale a pena lembrar que alguns tipos de sapatos não são recomendados e devem passar longe dessa atividade. 

Como é o caso das alpargatas, botas de saltos muito altos, sandálias, tamancos, sapatos de borracha para jardim, tênis e sapatos para corrida. 

Botas pesadas de escaladas e coturnos também não são adequados. 


*JODHPUR E BREECHES** –  Ambas são calças de montaria (CULOTE), confeccionadas com um tecido que garante flexibilidade (Lycra® ou Spandex®) e resistência. O intuito é  permitir que o cavaleiro e amazona montem o seu cavalo de forma confortável e segura.

São iguais e apenas se diferenciam no seu comprimento final ao longo da perna. A primeira (JODHPUR) acaba na altura do tornozelo e a segunda (BREECHES) no meio da perna ou logo após o joelho.
Com a Jodhpur pode-se utilizar botas de cano curto ou longo, como preferir. Mas com as Breeches se utiliza apenas botas de cano longo.
MAIS DETALHES EM FUTURAS PUBLICAÇÕES OU NO LIVRO – VIAJAR A CAVALO: UM GUIA PASSO A PASSO.

 Fonte: LIVRO – VIAJAR A CAVALO: UM GUIA PASSO A PASSO. Autora: Jacira Omena

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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 193 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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