Cabrestos de Cavalo

Como usar corretamente os cabestros

Por Lúcio Sérgio Andrade*

Ao longo do processo da domesticação do cavalo, o laço foi um instrumento imprescindível. Porém, com o advento do método da Doma Racional, o cabresto substituiu o laço como instrumento básico de contenção.

Mas o cavalo ainda preserva instintos selvagens. Quando criado extensivamente, principalmente se vive em grupos e em amplas pastagens, dificilmente permitirá uma contenção inicial sem o auxílio do laço.

Já os sistemas intensivo e semi-intensivo de criação, aliados à adoção da metodologia da Doma Racional, a partir da fase de amamentação, favorecem a aproximação homem/cavalo e, consequentemente, a treinabilidade, que é uma aptidão individual, regida por mecanismos genéticos tremendamente influenciados por fatores ligados ao manejo.

Partes componentes e modo de ação

O cabresto é constituído pela cabeçada e o cabo.

 Um cabresto completo deve ter na cabeçada a focinheira, a testeira e o afogador.

 A focinheira favorece uma melhor resposta do cavalo ao comando de puxar o cabo do cabresto, visto que pressiona uma região de imensa sensibilidade, a região nasal, mantendo firmes as peças laterais da cabeçada.

Já a testeira, favorece a atuação da cabeçada na nuca, região responsável pelo posicionamento correto da cabeça e do pescoço.

 E o afogador, tem uma função singular, a de evitar que a cabeçada seja retirada pelo ato do cavalo esfregar sua cabeça onde quer que seja amarrado. Isto acontece naturalmente, pela coceira resultante do suor e do calor. Mas também pode ser uma atitude decorrente de um vício.

O cabo do cabresto precisa ser resistente, fortemente ligado à cabeçada, e longo, em torno de 4 metros, a fim de facilitar diversas atividades, tais como: Os exercícios de guia no redondel, exercícios de caminhada, doma de cabresto, apresentação em pista, manejo reprodutivo, enduro, dentre outras situações específicas. Caso o cabo seja curto, o controle do cavalo será deficiente, principalmente se o cavalo é indócil, ou simplesmente porque encontra-se momentaneamente em um estado de excitação.

Tipos de cabrestos

Um cabresto pode ser confeccionado a partir de vários tipos de materiais. Os mais comuns são aqueles de nylon, de polipropileno, ou de couro.

Os cabrestos de nylon são mais baratos, sendo muito resistentes, mas provocam atritos desconfortáveis, resultando em ferimentos, tanto na nuca e parte da região das faces laterais da cabeça, como também nas mãos do condutor.

Os cabrestos de polipropileno são à base de fibras de algodão, sendo macios, conhecidos como cabrestos de “seda”, mas também exercem um certo atrito, apesar de em menor intensidade.

Já os cabrestos de couro, são os melhores, porque são naturais, resistentes e confortáveis, podendo ser roliços (em couro cru trançado, curtido e amaciado) ou em sola, com larguras variáveis. Os roliços proporcionam apoios eficientes. Os de sola são ideais para apresentação em exposições, desde que confeccionados com bom acabamento, em sola estreita.

Existem modelos especiais de cabresto, confeccionados com aço revestido em couro ou plástico, com corrente ligando o cabo à cabeçada. Neste caso, é importante que a corrente seja forte, não oxidável e presa a um mosquetão resistente.

Particularmente, não recomendo o uso de correntes nos cabrestos, pois viciam o cavalo a morder o cabo ou a própria corrente, além do incômodo dos toques frequentes no mento e mandíbula inferior, interferindo negativamente na apresentação do animal.

Suas múltiplas utilidades

Além da função básica de servir como meio de contenção, um cabresto também é necessário no processo da doma inicial, no treinamento e nos exercícios de condicionamento.

Mesmo nos animais montados, o cabresto tem utilidade.

Primeiro, porque não se recomenda amarrar um cavalo pelas rédeas, pois há o desconforto da embocadura caso o animal force para trás.

Em esportes como, por exemplo, o Enduro, diversas situações podem exigir o desmonte do cavaleiro (ou amazonas), devendo a montaria ser puxada pelo cabresto.


 *Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, pesquisador, especializado em raças equinas nacionais e internacionais de andamento marchado.

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