Caminho dos Diamantes – A Rotina

Viajar a cavalo contando histórias

Por Leonardo Letra

Cavalgar, há muito, tornou-se para mim um caminho que conduz a mais profunda paz íntima.

Decidi percorrer os principais caminhos reais do país e parti de Diamantina montando Bolero do Oeste Minas da raça Campolina rumo a Ouro Preto e percorreria ao todo 18 cidades do Caminho dos Diamantes.

Pelos caminhos da Estrada Real deparei-me com paisagens inimagináveis. Viajar de qualquer forma é muito bom e faz muito bem, mas viajar a cavalo é infinitamente melhor e só quem investir nesta experiência compreenderá bem o que afirmo.

Rotina de viagem

Percorria em média 35 km e tinha que interpretar corretamente os marcos que indicam a direção, chegar a cavalo locais onde deveria carimbar o passaporte do IER para garantir o certificado de conclusão dos caminhos, registrar a viagem, conseguir permissão de escolas para contar histórias para as crianças e apresentar o cavalo e ainda encontrar criadores de cavalo das cidades visitadas para garantir pouso e trato para o cavalo.

Harmonia e Fé

Imensa fé conduzia-me cidade após cidade sobre o dorso de meu cavalo e juntos presenciaríamos inúmeras demonstrações de entusiasmo e espanto com a simplicidade e ousadia de nossa jornada. A generosidade e encantamento daqueles que nos receberam reforçara em mim a crença de que ainda viveremos em plena harmonia uns com os outros e de que aquele que é fixo tem sempre enorme admiração por aquele que vai.

Apenas um cavalo

É comum em cavalgadas de longa distância ter um animal de estepe, assim como carro de apoio, porém, decidi transpor mais este obstáculo e tornar meu cavalo Campolina o primeiro e único a percorrer cerca de 2000 km sem revezamento de animal, obviamente sem abrir mão do bem-estar animal, aliás, não me lembro de fazer qualquer coisa por mim sem antes vê-lo em local adequado, bem alimentado e em condições apropriadas ao descanso e refazimento.

A Traia

Usei uma sela Australiana e levava em meu alforje uma garrafa com 500 ml de água, lanterna, itens para higiene pessoal e somente uma troca de roupa.

O Caminho dos Diamantes

O caminho dos Diamantes foi sem dúvida o mais difícil dos quatro que percorri. Dos 395 km / 178,3 são de subidas e descidas sendo 26% de asfalto, 0,5% de trilhas e 73,5% de estradas de terra divididos em 18 planilhas na companhia da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço e de suas paisagens exuberantes. 

No próximo artigo contarei um pouco sobre as pessoas que encontrei pelo caminho como pude contar com elas.

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