Caminhos do Imperador – III

Caminhos do Imperador – III

Fotos: Cedidas pelo autor

 

Por Mozart Brandão Barros*

 

PARTE III

Sobre Cavalgar e Continuar Cavalgando

 

Sobre Cavalgar

Não sei como explicar o gosto pelas cavalgadas. Uma coisa é certa, pelo Brasil inteiro se alastrou o desejo em andar a cavalo. Acontecem nas grandes cidades e nos interiores nem se fala. Existem cavalgadas pra todos os gostos e a cada ano vem crescendo mais.

Tentando encontrar palavras para transmitir minha satisfação em cavalgar, diria que a relação homem/cavalo (amor) seria a premissa maior. Somente quem cria sabe.

 “Um cavalo é poesia em movimento” (Autor desconhecido).

 “Há algo no exterior do cavalo que faz bem ao interior do homem”. (Autor desconhecido)

“Nenhuma hora da vida é mais valiosa do que aquela gasta na sela de um bom cavalo” (Winston Churchill).

Cavalgar é paixão e eterna confraria, tarefa lúdica e prazerosa, pura descontração. É estar em contato com a natureza, um sonho de contemplação e alegria. É a possibilidade de conhecer pessoas e fomentar a amizade. É pertencer a um conjunto: cavalo e cavaleiro. É ladear outro ginete e puxar um papo às vezes sério, outros nem tanto. É caçoar e vadiar feito criança, sentir o ar puro do campo e encantar-se com os caminhos sem se preocupar com a chegada. É uma terapia. É curtir emoções difíceis de narrar. O prazer de Cavalgar é incrivelmente inexplicável! Igualmente difícil de interpretar os momentos dos “bate selas” realizados (descansos dos cavalos, dos cavaleiros e amazonas).  Cavalgar contagia e vicia!

Finalizando sobre nossa cavalgada, os pontos altos não foram somente as lindas paisagens, conhecer a cultura ribeirinha, seu povo e seus costumes. O prazer de montar, a hospitalidade e o carinho recebido das pessoas simples, ou mesmo dos fazendeiros locais e outras autoridades foram marcantes. Como também as emoções vividas e a rica e farta gastronomia preparada pelas nossas colaboradoras.

Pontuo como relevante mesmo, o companheirismo, a amizade e, sobretudo o respeito entre todos. Respeito entre cavaleiros, tratadores, cozinheiros, motoristas e de maneira muito especial respeito ao cavalo. 

Ninguém andou fazendo estripulias com os animais, abusando de esporadas, chicoteadas, desprezando seus limites ou demais violências. Os cavalos foram reverenciados. Mesmo porque “um cavalo é a imagem dos sonhos das pessoas sobre si próprias – de força, potencia, beleza – e tem a capacidade de proporcionar a extensão de nossa existência” (Pam Brown – Poeta australiano).

Cavalgar contagia e vicia!  Se o mundo é bonito, fica mais lindo montado a cavalo. Faria tudo de novo, porquê cavalgar é minha paixão!

Continuar cavalgando

Agora o próximo grande desafio meu é uma cavalgada de 550 km, em apenas 11 dias corridos.

Em minha cidade natal, Santana do Ipanema, Alagoal. A cada dois anos, anos pares, um grupo de 15 a 20 amigos sertanejos realizam uma viagem a Juazeiro do Norte. O Juazeiro do Padim Ciço. (Padre Cícero). Vão de burros e mulas. A distância equivale de Maceió (Al.) a Recife (Pe) ida e volta e ainda faltando 50 km.

Sairemos de Santana do Ipanema dia 22 de outubro, quarta-feira, e chegaremos no 01 de novembro, dia de Todos os Santos ao Juazeiro.

Sou convidado. A organização pertence aos meus conterrâneos. Vou preparado para o que der e vier, pois sei que o “sistema é bruto”. As adversidades muitas. Todo o trecho é na região do semiárido, alto sertão nordestino, quente, seco e sol a pino.

Estarei indo montado numa mula, a Boneca, e na égua mestiça nordestina, a Jabulani. Ambas já estão sendo preparadas. É um desafio nunca antes enfrentado, serão 50 km por dia em média, durante 11 dias. Não sei se meu corpo vai aguentar, 62 anos pesa. Faltando pouco mais de seis meses para a empreitada, estou montando de 3 a 4 vezes por semana. Vou tentar. 

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