Cavalhadas no Nordeste (Alagoas):  uma tradição que resiste ao tempo

Cavalhadas no Nordeste (Alagoas): uma tradição que resiste ao tempo

Tradição Equestre

Por Vanessa Omena*

Como sabemos são muitas as tradições que envolvem cavalos e cavaleiros, algumas delas vindas de épocas medievais e até hoje muito presentes em festas populares, como é o caso das Vaquejadas e Cavalhadas. E é da memória de muitos que nasceram e se criaram no meio rural que saltam lembranças das Cavalhadas, um torneio equestre com raízes ibéricas trazidas para o Brasil durante a colonização portuguesa, com a participação de cavaleiros e fidalgos, e tornando-se com o tempo um folguedo popular bastante prestigiado em algumas regiões. O testemunho dos primeiros cronistas aponta as Cavalhadas no Nordeste como os primeiros acontecimentos folclóricos a cavalo, no Brasil.

Em Alagoas, em época passadas, as corridas de Cavalhada eram comuns em tradicionais festejos pelos bairros da capital, Maceió, mas é em festas no interior, sobretudo em homenagem ao padroeiro da cidade, que elas sobrevivem ao tempo. O folclorista alagoano Théo Brandão (1909-1989) observa que a cavalhada nortista é constituída apenas dos desfiles, corridas de cavalos e jogos de argolinhas, enquanto no Centro-sul a cavalhada remonta as batalhas entre Cristãos e Mouros, na figura de Carlos Magno e seus cavaleiros, transformados em Cruzados e enviados em luta contra os Mouros na Península Ibérica.

A indumentária dos cavaleiros do Nordeste também difere das descritas para os cavaleiros do Centro-Sul que usam fantasias-fardas mais caras (veludo com aplicações em dourado e prateado), e montam em cavalos cuidadosamente arreados e enfeitados para uma dramatização sobre a batalha entre Cristãos e Mouros, como acontece anualmente na festa do Divino Espírito Santo, em Pirenópolis, Estado de Goiás. Em regiões como o Nordeste, geralmente, os cavaleiros usam trajes mais simples, com camisas de cetim ou algodão, nas cores vermelho e azul; calças brancas; cinto de couro preto; o casquete da mesma cor da camisa, e usam botas de couro de cor preta. Mas existem algumas cavalhadas, também na região, que possuem variações em seus trajes e no ritual.

Foto: Vanessa Omena

Foto: Vanessa Omena

Foto: Vanessa Omena

Foto: Vanessa Omena

Referências:

Entrevista feita com o cavaleiro José Ramon Espiridião Gomes (em 26.01.2016)

Para um profundamente maior sobre o tema Cavalhadas, recomendamos: 

BRANDÃO, Theo. As Cavalhadas de Alagoas. In: Revista do Folclore Brasileiro, ano II,n.3, maio/agosto, 1962.

CAVALHADAS DE PIRENÓPOLIS – Um estudo sobre representações de cristãos e mouros em Goiás. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cavalhadas de Pirenópolis –um estudo sobre representações de cristãos e mouros em Goiás. Goiânia: Oriente, 1974. 208p.

 

 

Anterior Conte as suas Histórias - Um Espaço Só Seu!
Próximo Cavalos Olímpicos - Baloubet du Rouet

Sobre o Autor

Vanessa Omena
Vanessa Omena 22 posts

Jornalista e escritora

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

Você também pode gostar de

Guias e tutoriais Leia e comente!

São Jorge – Santo Cavaleiro e Guerreiro

A minha admiração foi diante de uma obra de arte em forma da cena de São Jorge matando o dragão para salvar uma pobre virgem do sacrifício que lhe impunham! A história por trás dessa imagem é tão bonita quanto ela.

Guias e tutoriais Leia e comente!

Por Que Não Viajas a Cavalo?

Você que gosta de natureza e animais, frequenta o campo, e que dentre os animais, o cavalo é o seu preferido:
-Por que não pega a trilha e sai numa viagem com o seu veículo preferido?
-Por que não descobrir o Brasil e várias partes do mundo a cavalo?

Raças de Cavalos Leia e comente!

Crioulo – O Cavalo da América

Através do convívio diário durante essas viagens, desenvolvi a admiração pelo Cavalo Crioulo.
Meu primeiro contato com eles foi durante uma das primeiras viagens a cavalo que fiz, na região do Parque Nacional Torre del Paine, Chile. Atravessei terrenos difíceis, um dia atrás do outro, sem que o meu cavalo arrefece-se um só momento. Chamou a minha atenção, desde o princípio, a segurança dos seus passos, indiferente, entre subidas, descidas e caminhos pedregosos estreitos. Adquiri uma confiança cega nesse cavalo!

2 Comentários

  1. Ramon Esperidião
    março 03, 21:29 Reply
    Quero deixar aqui o meu agradecimento a Sra. Vanessa Omena, pela excelente matéria sobre a nossa cultura, a Cavalha de Messias referencia no estado de Alagoas!!! Obrigado e parabéns pelo excelente trabalho ????????????????!!!
  2. vanessa omena
    março 06, 19:57 Reply
    Obrigada pela entrevista Ramon Esperidião, e por preservar, juntos com os cavaleiros, esta festa folclórica que só engrandece nossa cultura.E agradeço ao site Viajar a Cavalo que tem esse espaço dedicado às nossas vivências no universo equestre.

Deixe um comentário