Mangalarga – Mineiro ou Paulista?

Dois cavalos, uma raça

Por Jacira Omena*

Nos últimos textos publicados sobre a raça Mangalarga tratamos do seu surgimento e possíveis origens do nome – Mangalarga. Nessa época a raça ainda era uma só. O nome não vinha seguido de nenhuma denominação de origem ou especificidade.

Mangalarga, Cavalo Nacional – O Início.

Mangalarga e Álter Real

– A Origem do Nome Mangalarga

cavalo mangalarga

Foto: Jacira Omena

Mangalarga, Mangalarga Paulista, Mangalarga Marchador, Mangalarga Mineiro – São os tantos nomes que surgiram para designar e diferenciar as duas vertentes do Cavalo Mangalarga, surgido no Sul de Minas, na região de Cruzília e Baependi.

Surgimento do Mangalarga

Para melhor entender essa história, vamos voltar a época que surgiram os primeiros cavalos marchadores selecionados pela figura do Barão de Alfenas (Mangalarga e Alter Real).

No século dezessete o Sul de Minas foi povoado por mineradores atraídos pela notícia da ocorrência de ouro nos rios que cortavam aquelas terras.

Em torno do minério, a agropecuária, principalmente leiteira, e a criação de equinos para a lida com o gado tornaram-se importantes negócios para as principais famílias que ali se instalaram. Mais precisamente na região de Baependi, Aiuruoca e São Tomé das Letras.

Seleção e comodidade da marcha

A seleção dos cavalos que deram origem ao Mangalarga visava um animal de porte médio, forte, rústico e confortável.

A comodidade da marcha se tornou a principal característica a ser perseguida. Daí surgiram as marchas picada e batida. A picada era muito valorizada nas áreas de mineração onde o foco era a comodidade nos deslocamentos. E a batida predominava nas áreas de atividade agropecuária que buscava aliar o conforto do deslocamento com a lida do gado.

Uma atividade de lazer bem apreciada na época tinha no cavalo um dos personagens principais – A caça de veado – A coragem e rusticidade do Mangalarga foram forjadas nessa prática ancestral.

A topografia acidentada do Sul de Minas e a funcionalidade atuaram como selecionadores naturais para apurar as qualidades da raça.

Já no século dezenove, tomaram parte no processo de seleção da raça e surgimento de diversas linhagens os descendentes de João Francisco Junqueira que se estabeleceram em fazendas que se tornaram referências históricas na formação da raça nacional – Campo Alegre, Favacho, Traituba, Campo Lindo, Narciso e Angahy.

São Paulo como destino

Ainda no século dezenove, parte da família Junqueira, em busca de ampliar as terras para exploração agropecuária, resolveu explorar os sertões do Rio Pardo, na região Alto Mogiana, atual município de Orlândia, e ali fundar diversas fazendas.

Cavalos da raça Mangalarga do Sul de Minas originários das diversas fazendas da família foram levados para São Paulo para preencher as necessidades da exploração desse novo território.

Fazendeiros paulistas admirados com a qualidade dos cavalos trazidos de Minas, tornaram-se grandes compradores desses animais, contribuindo para aumentar a popularidade da raça.

A perda do sotaque mineiro

Os cavalos levados para São Paulo tiveram que se adaptar a uma topografia mais plana, dos campos cerrados, tanto nos trabalhos das fazendas como também no esporte, a caça de veado.

Os criadores paulistas, devido as necessidades, desenvolveram animais maiores, com capacidade de arranque e maior velocidade para se deslocarem durante as caçadas. O galope passou a ser valorizado durante esse processo.

Para alcançar essas novas “qualidades”, os criadores foram buscar em outras raças essas características para imprimi-las no Mangalarga durante esse processo de “aprimoramento”. Puro Sangue Inglês, Árabe e Anglo-Árabe foram utilizados para esses fins.

Nascia o embrião responsável pela cizânia entre os criadores mineiros e paulistas e a divisão da raça entre Mangalarga e Mangalarga Marchador.

No próximo texto a ser publicado em viajaracavalo.com.br, saiba mais sobre a história do Mangalarga – Diferença entre Mangalarga (O Paulista) e Mangalarga Marchador (O Mineiro).


Fonte:

http://www.joseoswaldojunqueira.com.br/reportagem_2.html

http://www.harasgamarra.com.br/03mmxm.html

https://issuu.com/osvaldovruffino/docs/palestra_mangalarga_1

Formação do Mangalarga – Raul Almeida Prado

 

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Sobre o Autor

Jacira Omena
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Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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1 Comentário

  1. Luís
    outubro 24, 21:24 Reply
    De belos idos tempos tem sua história; dos barões e dos peões o traquejo e a marcha; tordilho, baio, preto ou pampa tem seu brilho; na lida do gado ou nas pistas de exposição sua presença; de belas formas, tem a admiração de todos; na marcha, galope ou ao passo tem meu respeito; brasileiro de raça e coragem tem seu valor; deixo aqui registrado meu amor ao Mangalarga Marchador... Autor:Luís Alberto de Castro Marcolino.

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