Cavalo Pantaneiro

Cavalo Pantaneiro

Por Jacira Omena

 

A formação do cavalo pantaneiro como uma raça reconhecidamente brasileira, e Patrimônio Histórico, Cultural e Genético do Estado de Mato Grosso do Sul passa pela história da colonização não só da região Centro-oeste do Brasil, mas antes de tudo, pela história da colonização de parte da América do Sul.

 Provavelmente a raça teve início quando entre os anos de 1540 e 1580, quanto das duas tentativas da fundação da cidade de Buenos Aires pelos espanhóis. Na primeira vez, os espanhóis saíram em fuga deixando os seus cavalos ibéricos e bois. Na segunda tentativa, quando lá chegaram, já encontraram os índios guaranis, que os havia expulsados antes, com milhares de cavalos e montados! Os índios viviam nessa região e se deslocavam pelo Paraguai, Bolívia e território brasileiro, incluindo o Pantanal.

 Novos cavalos, ibéricos, juntaram-se a tropa dos Guaranis (Guaicurus) durante a passagem de Álvar Núñes Cabeza de Vaca, nomeado governador do Rio da Prata pela coroa espanhola, a caminho de Assunção, no Paraguai. Índios Guaicurus atacaram e roubaram os animais da comitiva. Contam que foi a primeira vez, porém não a última, que o tal Cabeza de vaca sofreu prejuízos com os Guaicurus. Em 1767, teve mais cavalos e gado extraviados de um lote de 1000 vacas, alguns touros e dezenas de cavalos comprados em São Vicente, São Paulo, quando passavam pela região de sertões onde agora é o estado do Mato Grosso.

 Em 1781, os Guaicurus já andavam a cavalo e viviam do gado. Eram os – Kadiwéus – Índios Cavaleiros – imortalizados por Debret em suas pinturas.

 Foto: brasiliana.Usp.br

Foto: brasiliana.Usp.br

Na Guerra do Paraguai, outros tantos cavalos das Forças brasileiras foram deixados pela região.

 A mistura de todos esses cavalos juntamente com o processo de seleção natural fez chegar aos padrões da raça conhecidos hoje, e ele a sobreviver às intempéries e características únicas da região do pantanal.

 O movimento das águas no Pantanal faz com que a região fique alagada, todos os anos, entre janeiro e março. Porém, a lida do gado não para! 

Foto: Cedida por Paulo Junqueira Arantes

Foto: Cedida por Paulo Junqueira Arantes

Os peões manejam a boiada de um lado para o outro, entre rios e regiões alagadas. Áreas extensas! O cavalo pantaneiro resiste bravamente nesse ambiente inóspito, onde nenhuma outra raça sobreviveria a um clima tão quente e úmido.

 A capacidade de adaptação do cavalo pantaneiro é tão grande que ele consegue prender a respiração, e buscar comida no fundo dos pastos inundados pelas cheias.

 Essa adequação ao ambiente vai além e impacta na sua estrutura anatômica – Altura mediana (um metro e meio), robusto, e com parte dianteira mais forte que a traseira, já que é obrigado a nadar nas travessias de rios e cheias. Os cascos são menores e mais duros, comparados as outras raças, para resistir ambas as estações, das águas e da seca.

 A raça quase foi extinta na década de 70, quando, para agravar ainda mais os cruzamentos indiscriminados, ocorreu uma epidemia de anemia infecciosa e febre das cadeiras, reduzindo o plantel para 100 indivíduos.

 Graças a fundação da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Pantaneiro (ABCCP) em 1972, e ao início do projeto de preservação e melhoramento genético da raça, em 1988, pela Embrapa Pantanal, em Corumbá (MS), hoje são mais de 13 mil animais registrados na Associação.

  “O que o homem separou, o cavalo mantém unido. Em 1977, dividiram o Estado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mas essa raça nos uniu novamente, pelo Pantanal”

 José Luís Paes de Barros (Criador da raça)  


 

Fontes:

http://revistadinheirorural.terra.com.br/secao/estilo-no-campo/o-rei-das-aguas

http://www.meucavaloepantaneiro.com.br/?pg=cavalo

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/pantaneiro/pantaneiro-1.php

http://www.abccp.com.br/ 

 
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Sobre o Autor

Jacira Omena
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Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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