Cavalos de Marcha – Veículos Atuais

Cavalos de Marcha – Veículos Atuais

Foto: Jacira Omena

 

Por Lúcio Sérgio Andrade*

 

 Anualmente, a indústria equina brasileira movimenta cifras fabulosas em torno da criação de cavalos de raça, cujos segmentos múltiplos incluem selarias, fábricas de rações, laboratórios de medicamentos, vestuário, calçados, lojas de vendas no comércio varejista, sementes e fertilizantes para pastagens e forrageiras diversas, implementos agrícolas, maquinários, material de construção para implantação e manutenção das fazendas de criação – conhecidas como haras – comércio de animais para reprodução, esportes, serviços e a mão-de-obra básica e especializada.

 Somente a população representada pelos cavalos de marcha, das raças brasileiras, supera a meio milhão de animais, computando somente exemplares cadastrados nas associações de criadores. Já a população de animais marchadores sem registro, talvez ultrapasse a l milhão de animais.

Em termos de criadores cadastrados somente nas associações de cavalos de marcha, existem mais de 10 mil. Ao longo da Rodovia Castelo Branco, em um raio de 100 Km de São Paulo (capital), situam-se milhares de haras. Outros pólos de alta concentração de criatórios são a região de Esmeraldas – MG e de Gravata-PE.

 Mas o que vem a ser um cavalo de marcha?

 É aquele equino que possui uma peculiaridade única em sua dinâmica de locomoção: movimentar cada um de seus membros alternadamente, com apoios suaves de cascos, conferindo ao cavaleiro, ou amazonas, um conforto inigualável, se comparado aos cavalos de trote, que predominam em outros países.

 Assim, montar em um cavalo legítimo de marcha é poder desfrutar de um fascinante prazer nos momentos de lazer em passeios nos finais de semanas e feriados, cavalgadas ecológicas, turismo equestre, equoterapia, enduros competitivos, serviços de campo e gerenciamento nas fazendas de pecuária.

 Existem três modalidades principais de marcha. Diferenciam-se pela sucessão de apoios dos cascos.

 Batida – Quando os cavalos deslocam seus membros com maior tempo de apoios diagonais. 

Picada – Quando o predomínio de tempo dos apoios é lateral. 

Centro – Quando há um equilíbrio entre o tempo de apoios laterais e diagonais.

 Para se entender melhor este mecanismo de locomoção dos cavalos de marcha, podemos traçar um paralelo com o Trote, um andamento de apoios diagonais sincronizados (ausência total de apoios laterais), e com a Andadura, um andamento de apoios laterais sincronizados (ausência total de apoios diagonais).

 A Andadura é um andamento indesejável e desclassificatório em todas as raças equinas, pelo seu desequilíbrio e desconforto.

Já o Trote, é o andamento convencional típico da maioria das raças em todos os países.

 No trote, o cavaleiro sente um impacto na vertical, resultante do contato simultâneo dos cascos diagonais.

Não é um andamento indicado para passeios e cavalgadas, a não ser para aqueles com experiência em equitação.

 Dentre as modalidades de marcha, as melhores são a “Picada” e a de “Centro”, porque são muito cômodas.

 Isto significa que exercem pouco ou nenhum abalo sobre o assento do cavaleiro, proporcionando a este mais segurança e prazer na equitação.

 Compreendida esta mecânica de movimentação do cavalo de marcha, podemos afirmar que este será sempre um “veículo”atual, pois suas formas são únicas, suas cores são variadas para todos os gostos, tem acessórios (arreamento) com diversos opcionais, sua economia é racional, pois seu combustível (capim) é barato e farto na natureza, seu custo de manutenção é reduzido (entre vinte a trinta dólares/mês), sua mecânica é robusta, com reduzidas chances de defeitos, seu tempo de vida útil é longo, em torno de 12 anos, sem muita depreciação na troca por um novo, movimenta-se em velocidades variadas, podendo ser constantes como,. por exemplo, ao passo (6 Km/h), marcha (12 km/h) e galope (20 Km/h), seus poluentes são naturais e rapidamente degradáveis e recicláveis e o seu conforto é o de um cadilac, desde que a marcha seja do tipo “Picada”. 


 *Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, pesquisador, especializado em raças equinas nacionais e internacionais de andamento marchado. 

Contatos[email protected] 

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