Cinco Rédeas da Equitação

Cinco Rédeas da Equitação

Foto: CanStockPhoto

 

Por Sérgio Lima Beck*

 

Nesta altura, os leitores desta coluna podem estar se perguntando, mas este assunto das rédeas nunca acaba?

 Com efeito, já escrevi COM QUE RÉDEAS VOCÊ VAI no qual discutimos a escolha de rédeas unidas ou separadas, espessuras, materiais, comprimentos, maneira de empunhá-las, etc. 

E agora “As cinco rédeas da Equitação”. 

De fato o tema é vasto, embora pouco conhecido, por isso mesmo escolhi desenvolvê-lo.

Na verdade ainda se poderia falar muito sobre rédeas.

A Equitação tem aproximadamente seis mil anos e, nesse tempo todo, muita coisa se descobriu e se desenvolveu sobre o uso das rédeas.

Entre outras possibilidades de temas abordando rédeas teríamos “Rédeas Auxiliares”.

O que são rédeas auxiliares?

Não são rédeas de comando propriamente ditas e sim rédeas que auxiliam no posicionamento da cabeça do cavalo ou na prevenção e na correção de problemas.

Mas, em princípio, todo bom cavaleiro e todos os cavalos bem iniciados dispensam as rédeas auxiliares.

 Então vamos direto ao assunto deste artigo, isto é, às cinco rédeas da Equitação

Desta feita, entretanto, farei só uma introdução ao assunto. 

 Origem das cinco rédeas.

De onde vem esse negócio de cinco rédeas?

Vem da Equitação Acadêmica, que é uma Equitação mais elaborada, estudada e desenvolvida nas famosas escolas chamadas academias de Equitação surgidas desde o período do Renascimento na Europa.

Provavelmente vocês conhecem ou já ouviram falar de quatro rédeas ao mesmo tempo, não é?

Duas do bridão e duas do freio.

Mas cinco rédeas? As rédeas não deveriam ser sempre em número par?

Sim, deveriam e devem ser par.

Então?

Talvez muitos leitores nunca tenham ouvido nada sobre isso, sobre cinco rédeas. Pois é, mas este assunto existe sim, só que na verdade não são cinco rédeas propriamente ditas e sim cinco ações de rédea, cinco campos de ação onde cada rédea pode agir.

Foto: CanStockPhoto

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Em outras palavras, cinco direcionamentos da pressão nas rédeas e, consequentemente, cinco diferentes efeitos das ações das rédeas sobre o cavalo.

Na prática e resumidamente se acaba usando só a expressão cinco rédeas, porém na realidade estamos nos referindo aos cinco campos de ação das rédeas.

É bom salientar, entretanto, que essa teoria dos campos de ação está baseada na explicação para cada rédea individualmente. Ela foi pensada para descrever, definir e delimitar o direcionamento da pressão em uma rédea seja ela direita ou esquerda, pois serve para as duas, mas sempre se refere só a uma delas. Ok?

Sendo assim, então não poderiam ser seis, sete ou mais rédeas?

Até que poderiam sim, mas se cinco já é uma quantidade bem difícil para um leigo compreender e, principalmente, saber empregar corretamente, imaginem se formos falar em mais campos de ação.

Além disso, cinco são os mais conhecidos, os mais diferenciados, os mais claros.

São os cinco campos que são clássicos na Equitação Acadêmica.

Então vamos lá, mãos à obra, ou melhor, mãos às rédeas.

As duas rédeas básicas – Rédea Direta e Rédea Contrária.

O usual, na Equitação não Acadêmica, é falar apenas em rédea de fora e rédea de dentro.

É mais fácil para o leigo entender.

– De fora seria a rédea do lado externo da encurvação do cavalo ou, melhor ainda, do lado de fora da curva do caminho a ser seguido.

– De dentro, como é óbvio, significa o lado oposto ao da rédea externa.

Mas se fala também em rédea aberta e rédea fechada.

Neste último caso pode significar rédeas separadas e rédeas unidas, esquerda com direita.

Aberta e fechada também podem significar campo de direcionamento da pressão nas rédeas.

Aberta seria quando o sentido da pressão na rédea não cruza a coluna do cavalo, como é usual em Atrelagem com um só animal.

Todavia para algumas pessoas fechada também significa segurar as duas rédeas em uma só mão, enquanto que aberta seria cada rédea segurada individualmente, a rédea direita na mão direita e a esquerda na mão esquerda.

Vejam quantos significados para as mesmas palavras. Que confusão, não é?

Para não dar margem a confusões de interpretação é que a Equitação Acadêmica, que é mais erudita, criou os termos específicos de Rédea Direta e de Rédea Contrária (indireta).

Direta é quando o direcionamento da pressão nas rédeas não cruza a coluna do cavalo e Contrária é quando cruza.

Simplesmente isso.

Mas dito de outra forma, Direta é quando você aciona a rédea de um lado do cavalo e a direção do acionamento é para o mesmo lado.

Contrária é quando você aciona de um lado, mas a direção do acionamento é para o outro lado do cavalo.

Para fazer curvas usando rédea direta, tratando-se de um cavaleiro não muito habilidoso, ela só pode ser acionada se quem monta empregar as duas mãos nas rédeas, uma em cada rédea, isto é, segurar a direita na mão direita e a esquerda na mão esquerda.

Já a rédea contrária tanto pode ser acionada se empregarmos individualmente uma mão em cada rédea, bem como também as duas rédeas juntas em uma só mão.

 A Contrária, que o gaúcho chama de fechada, é praticamente a única rédea que a tradição gauchesca conhece e utiliza no cavalo de sela, desde a primeira montada.

É uma ação melhor, com menos “efeitos colaterais” como veremos no próximo artigo.

Mas é também mais difícil para o cavalo compreender e responder corretamente.

Daí a Contrária exigir muito mais tempo de treino.

Daí também as pessoas preconceituosas que não usam as duas ações de rédeas, direta e contraria (uma de cada vez), levarem mais tempo para ter um cavalo bom na rédea contrária.

A Direta prepara para a Contrária, mas é preciso saber as técnicas de como fazer esta transição e isso pouca gente sabe.

Sem a devida técnica costumam levar muito tempo para terem um cavalo bom na rédea contrária ou, como se diz na Equitação rural, na rédea de fora.

Mas quando é que um cavalo responde bem na rédea contrária?

Quando a resposta vem leve, fluída e fácil, sem botar o focinho para lado contrário da direção aplicada na rédea contrária acionada.

Explicando de outra forma, se a curva é para um determinado lado, o cavalo, embora vindo para o lado desejado, não deve colocar o focinho para o lado oposto.

Como se diz em boa Equitação, numa curva quem está montado sempre deve poder enxergar o olho de dentro e não o olho de fora do cavalo.

Isso de na curva enxergarmos o olho dentro do cavalo acontece sempre com a rédea direta e deve acontecer também com a contrária, mas nesta é preciso mais técnica e mais tempo para acontecer.

E por que se deve enxergar o olho de dentro do cavalo?

Ora, porque assim significa que o cavalo está com a cabeça posicionada de forma a poder enxergar onde pisa e aonde vai.   Simples e óbvio, não é?

Subdivisões da Direta e da Contrária

 A coisa começa complicar quando a Equitação Acadêmica subdivide a Rédea Direta em duas rédeas, isto é, em dois campos de ação da rédea direta, ou seja, na Rédea Direta de abertura e na Rédea Direta de oposição.

Complica mais ainda quando subdivide a Rédea Contrária em três rédeas, isto é, em três campos de ação da rédea contrária, ou seja, Contrária de Apoio, Contrária de Oposição e Contrária Intermediária.

Pra que serve tudo isso?

Se quisermos mais precisão nos movimentos do cavalo temos que saber diferenciar e saber acionar cada umas dessas cinco rédeas.

Em outras palavras, precisamos conhecer o campo de ação de cada uma e saber escolher quando é melhor uma do que a outra.

Sim porque cada uma tem um efeito no cavalo, cada uma determina um movimento diferente da outra.

Conhecer a denominação dessas cinco rédeas, bem como o campo de ação de cada uma, também permite nos explicarmos melhor.

Numa aula, por exemplo, permite que expliquemos com detalhes qual ajuda de mão é melhor e mais apropriada para determinado movimento.

Se falarmos simplesmente em rédea de dentro e rédea de fora, muitas vezes, não conseguimos nos fazer entender direito. Não conseguimos a precisão desejada e às vezes nem o movimento desejado.

A Equitação Acadêmica é um misto de arte com ciência. Mas esse assunto dos cinco campos de ação das rédeas não é muito fácil.

Por isso talvez não seja bom abordá-lo todo de uma só vez.

Foto: CanStockPhoto

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Primeiro gostaria que vocês assimilassem bem o conceito e a diferença entre Rédea Contrária e Rédea Direta.

Uma coisa que já posso adiantar é que essas duas ações, direta e contrária, não casam, não combinam, se forem acionadas as rédeas esquerda e direita para o mesmo lado, ao mesmo tempo e na mesma intensidade.

Se vocês estiverem com a rédea direita na mão direita e a esquerda na mão esquerda, não é uma boa técnica acionar, ao mesmo tempo e na mesma intensidade, a rédea direita com ação direta e a esquerda com ação contrária, muito embora os dois direcionamentos sejam no mesmo sentido e mesma direção.

Se vocês lembrarem que esse não é um bom acordo de ajudas já será um grande avanço nas vossas equitações.

No próximo artigo discutiremos em detalhes os campos de ação de cada uma das subdivisões, bem como as vantagens e os “efeitos colaterais” de cada uma delas.

Até a próxima cavaleiros. Pé no estribo e mãos nas rédeas. Cordialmente. 


Sérgio Beck*

*O autor é cavaleiro profissional e instrutor de Doma e Equitação. É também autor, entre outros livros e DVDs, do Manual de Gerenciamento Equestre.

Contatos: [email protected] , (41) 9953-0317 Tim e (48) 9162-7185 Tim.

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Sobre o Autor

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1 Comentário

  1. Luara
    julho 25, 00:38 Reply
    Sem querer ser chata mas já sendo, acabei de ler esse artigo agora e fico no aguardo da continuação! :D

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