Com Que Roupa Eu Vou? “Calças”

Com Que Roupa Eu Vou? “Calças”

Foto: Cesar Teixeira

 

Por Jacira Omena*

 

A roupa que usamos para cavalgar difere muito de região para região, e de país para país.E difere muito em cada tipo de atividade praticada com o cavalo. Na lida diária com o gado a s características mais desejada são a proteção e liberdade de movimento, não muito diferente do que ocorre nos esportes equestres, mas com uma pegada a mais de estilo e moda de cada um.

 Nos EUA o mais frequente é o uso de calças jeans e de tecidos similares, principalmente pelos homens. Na América Latina, ocorre da mesma forma que nos EUA, à exceção em algumas regiões mais ao sul do continente, como Chile, Argentina, Uruguai e no Sul do Brasil, onde se utiliza variações da bombacha.

 No Brasil, de uma forma geral, o jeans é o mais utilizado.

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Foto: Cesar Teixeira

Na Europa o uso de culote é disseminado tanto para mulheres como para homens. 

Vamos falar um pouco sobre ele!  

CULOTES – JODPHUR – BREECHES 

A calça clássica de prática de equitação, o tão europeu culote, tem origem num país muito distante daquele continente, mas com uma estreita relação histórica. 

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

Conhecido também como JODHPUR e BREECHES, o culote da forma como se conhece surgiu na Índia.

 Em Jodhpur, no Rajastão, a realeza jogava Polo vestida com uma calça folgada na parte de cima que se estreitava a partir dos joelhos (similar a uma bombacha). Polo é um esporte originário dessa região e ainda bastante praticado.

 Visitei essa parte da Índia muito recentemente numa viagem a cavalo. 

Em cada museu, forte e muitas vezes casarões antigos que visitei durante o meu roteiro, pude ver em muitas gravuras, fotos e representações artísticas a figura dos antigos indianos trajados com suas vestes de cavalgadas, muitas vezes em situações de guerra, ao lado dos maravilhosos cavalos Marwari

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

Mesmo atualmente, as vestes que os cavaleiros indianos usam para cavalgar são muito próximas daquelas utilizadas por seus antepassados. 

Foto: Jacira Omena

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Quando a Índia foi invadida e colonizada pelos ingleses, eles passaram a praticar o mesmo tipo de esporte e a utilizar a mesma vestimenta.

Naquela época ela ainda não era conhecida por esse nome – JODHPUR. 

E como surgiu essa denominação, então? 

Já havia lido em algum lugar, mas escutei pessoalmente a história da boca de um guia de um palácio antigo dos Marajás durante a minha visita a índia.

Vamos lá – Contam que na Índia já colonizada pelos ingleses existiu um príncipe que era um ás na prática de Polo, e fazia parte do time oficial da Índia que disputava e ganhava frequentemente os torneios de Polo contra os europeus e principalmente os ingleses.

Em uma visita a Inglaterra, foi convidado inesperadamente a participar de um torneio que estava ocorrendo lá naquela ocasião. Não havia levado seus trajes. Os anfitriões providenciarão para que ele fosse levado a um alfaiate para que pudesse confeccionar suas vestes a tempo de participar do evento. O príncipe explicou ao alfaiate de que jeito ele deveria fazer sua calça de montaria. O homem nunca havia feito nada igual. Rabisco para lá e para cá, na tentativa de ficar o mais próximo do original possível. No final, o alfaiate perguntou o nome do indiano para que ele pudesse colocar nos croquis, escutou abismado o príncipe falar seu nome, longo e quase impronunciável. Apenas, conseguiu pegar o final, quando ele disse de Jodhpur, a cidade de sua origem. Então, escreveu no papel para identificar o dono da encomenda – Jodhpur. 

O príncipe participou do torneio, e causou sensação, não só por seu desempenho, mas também pela roupa que estava usando. Principalmente, pelas calças. Correu de boca em boca a informação que haviam sido feitas por um alfaiate inglês. Logo, inúmeras encomendas foram feitas, e todos olhavam os croquis e diziam para o alfaiate – eu quero essa Jodhpur. 

Ao longo dos anos, ocorreram modificações tanto na modelagem quanto no tecido utilizado. As calças tornaram-se mais justas como um todo e o tecido utilizado tem maior flexibilidade (Lycra® ou Spandex®) e resistência. 

 No final, a idéia é a mesma: permitir que o cavaleiro e amazona montem o seu cavalo de forma confortável e segura. 

Para a equitação clássica e as competições são usados culotes de cores claras como bege e branco. Mas para a prática de equitação, fora dessas esferas, são fabricadas numa grande variedade de estilos e cores. 

Atenção às cores muito claras para o uso em trilhas. Ficam sujas e manchadas muito rapidamente por poeira e lama. Mas, por outro lado, não esquentam tanto em climas mais quentes. 

No caso de compras no exterior, ou através de lojas virtuais internacionais, deve-se ficar atento para a diferença entre JODHPUR E BREECHES – são iguais e apenas se diferenciam no seu comprimento final ao longo da perna.

A primeira, Jodhpur, acaba na altura do tornozelo e a segunda, Breeches, no meio da perna ou logo após o joelho. 

Com a Jodhpur pode-se utilizar botas de cano curto ou longo, como preferir. Mas com as Breeches se utiliza apenas botas de cano longo. 

Nessa questão de roupa,  nas viagens a cavalo não existe obrigatoriedade quanto a um tipo ou outro de calça.

 Existe recomendação por uma roupa cômoda e resistente que propicie conforto e segurança durante o deslocamento do trajeto. 

Sugere-se não usar calças com muitos recortes e costuras que podem machucar a pele, bem como evitar alças e reatas que possam ficar presas em algum artefato, galhos ou arbustos. 

De resto, cada um encontra a sua forma e estilo!   


Fonte: LIVRO – VIAJAR A CAVALO: UM GUIA PASSO A PASSO. Autora: Jacira Omena
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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 193 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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Ouvi quando o responsável pela agência local disse – preparem as câmeras! Imediatamente me coloquei em estado de atenção e empunhei minha câmera.
O ônibus tomou esse caminho e foi passando por espaços que eram limitados por outras muralhas que se sucediam, átrios após átrios, até chegarmos ao coração do forte, onde nos deparamos com a visão de uma escadaria ladeada por cavalos Marwari montados por indianos em trajes militares com turbantes, empunhando um estandarte com as cores de Dundlod. Tambores rufaram e empregados se alinharam para nos receber.

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