Crioulo – O Cavalo da América

Crioulo – O Cavalo da América

Foto: Jacira Omena

 

Por Jacira Omena*

 

Raça – Crioulo

Em meio a tantas raças consideradas mais importantes, e contrariando um pouco a minha história de vida passada em grande parte rodeada por cavalos das raças Mangalarga e Campolina, resolvi falar um pouco sobre a raça Crioulo.

 Isso deve-se as tantas vezes que ao viajar a cavalo pela América do Sul e Brasil deparei-me com cavalos dessa raça.

Através do convívio diário durante essas viagens, desenvolvi a admiração pelo Cavalo Crioulo.

Meu primeiro contato com eles foi durante uma das primeiras viagens a cavalo que fiz, na região do Parque Nacional Torre del Paine, Chile. Atravessei terrenos difíceis, um dia atrás do outro, sem que o meu cavalo arrefece-se um só momento. Chamou a minha atenção, desde o princípio, a segurança dos seus passos, indiferente, entre subidas, descidas e caminhos pedregosos estreitos. Adquiri uma confiança cega nesse cavalo! 

Foto: Jacira Omena

Foto: D Omena

Voltei a encontra-los na Argentina, quando fiz a Grande Travessia dos Andes, onde durante onze dias me desloquei pela Cordilheira, em topografia variada e desafiadora e clima inóspito.

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

Nos Aparados da Serra, Rio Grande do Sul, encontrei a versão nacional dessa mesma raça, e não me decepcionei com o seu caráter. 

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

Tantas vezes voltei a encontra-los nas diversas viagens que voltei a fazer  na Argentina e Chile, e cada vez que volto a montá-los, posso dizer, que são grandes e inesquecíveis esses reencontros.

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

Algumas Informações sobre o Cavalo Crioulo

 Histórico do Cavalo Crioulo

 O Cavalo Crioulo tem sua origem nos equinos Andaluz e Jacas espanhóis, trazidos da península ibérica no século XVI pelos colonizadores. Estabelecidos na América, principalmente na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e sul do Brasil, muitos desses animais passaram a viver livres, formando manadas selvagens que, durante cerca de quatro séculos, enfrentaram temperaturas extremas e condições adversas de alimentação. Essas adversidades imprimiram nestes animais algumas de suas características mais marcantes: rusticidade e resistência. Em meados do século XIX, fazendeiros do sul do continente começaram a tomar consciência da importância e da qualidade dos cavalos que vagavam por suas terras. Esta nova raça, bem definida e com características próprias, passou a ser preservada, vindo a ganhar notoriedade mundial a partir do século XX, quando a seleção técnica exaltou o seu valor e comprovou suas virtudes.  Em 1932, foi fundada a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos – ABCCC, com a missão de preservar e difundir o cavalo Crioulo no país. 

  Cinquenta anos depois, a prova do Freio de Ouro veio para ficar, tornando-se uma importante ferramenta de seleção, uma vez que motivou a otimização da raça, tanto morfológica quanto funcionalmente. A transmissão da prova pela televisão aumentou a visibilidade do cavalo Crioulo, cujo universo movimenta anualmente R$ 1,28 bilhão. Hoje são mais de 300 mil animais distribuídos em 100% do território nacional. 

Padrão da raça

Conhecido como “o pequeno grande cavalo das Américas”, o Crioulo é um equino caracterizado pela silhueta harmônica e pelo equilíbrio perfeito. Seu padrão racial admite praticamente todos os tipos de pelagens, exceto pintada e albina total. O peso varia entre 400 e 450 quilos e a altura mínima admitida para as fêmeas é de 1,38 metro e nos machos de 1,40 metro, já a máxima para fêmeas é 1,48 metro e para machos é de 1,50 metro.
Apesar da beleza e do temperamento dócil, sua rusticidade, facilidade de adaptação e resistência são algumas das características mais marcantes. O cavalo Crioulo é um animal de coragem, ativo, bondoso, inteligente, longevo, e hoje comprovadamente versátil, pois se destaca em todas as exigências que lhe são impostas. 

No Trabalho

Desde que passaram a selecionar seus cavalos Crioulos, os criadores da raça sempre foram norteados por um princípio básico: estes animais precisariam ser bons para o serviço. A faina com o gado e as lides cotidianas do campo fazem parte da essência da raça e consolidaram no cerne de sua origem a chamada “vocação vaqueira”, complementada mais tarde pela triagem instituída por ferramentas como o Freio de Ouro, que ainda hoje contribuem para o constante aperfeiçoamento dessa virtude.
Somadas a esta predisposição estão algumas características naturais do Crioulo como a sua rusticidade e resistência. Tais particularidades distinguem esse animal como um incansável trabalhador e tornam ainda mais simples e menos onerosa a sua manutenção, sem a necessidade de cuidados excessivos.
Atualmente, o Crioulo se mostra competente para o trabalho nas mais diversas condições e se adapta facilmente a diferentes exigências como o pastoreio de gado zebuíno no sudeste e norte do país.

 No Lazer

Estatura mediana, trote cômodo, temperamento dócil e estrutura harmoniosamente bela. O cavalo Crioulo preenche todos os requisitos de um bom animal de sela dedicado ao lazer e tem conquistado cada vez mais usuários de animais de cavalgadas, carruagem atrelada ou simplesmente de passeios e trilhas a cavalo.
Atento ao crescente número de adeptos dessas modalidades assim como de interessados em adotar alguma dessas práticas, o mercado vem se moldando para atender às demandas exigentes deste novo público do cavalo. Os usuários representam hoje uma das parcelas mais crescentes entre os novos clientes, responsável por absorver significativa quantidade da produção.
A multiplicação de hospedarias e escolas de equitação por todo o país consolidou uma nova tendência de uso desse animal: a do cavalo como “pet”. Hoje em dia é cada vez maior o número de pessoas que realizam o sonho de ter um cavalo para montar nos fins de semana, mesmo sem ter uma fazenda ou campo. A terceirização do trato e da manutenção tornou o cavalo Crioulo, e as múltiplas opções de lazer agregadas a ele, acessíveis a qualquer um. Basta por o pé no estribo, acomodar-se e desfrutar.

 No Esporte

Ao crioulista está disponível uma vasta gama de modalidades. No total são 12 oficializadas pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos sendo, dessas, três utilizadas como ferramentas de seleção: O Freio de Ouro, a Morfologia e a Marcha de Resistência. Recentemente lançada, a Tríplice Coroa é uma premiação especial que congrega as três ferramentas em favor da promoção de um cavalo completo.
Além das modalidades seletivas, há ainda opções de esporte voltadas a atender os adeptos da competição. Algumas delas requerem treinamento e relativa experiência na montaria, como a Paleteada, a Rédeas, o Crioulaço e o Movimiento a La Rienda, mas também existem outras menos exigentes tecnicamente como a Campereada (Team Penning) e o Enduro, que podem ser facilmente praticadas por iniciantes.
Para os fãs do Freio de Ouro, há ainda as modalidades criadas nos mesmos moldes da seletiva, porém, direcionadas à públicos específicos como o Freio Jovem – disputado nas categorias Infantil, Juvenil e Aspirante, Masculino e Feminino – e o Freio do Proprietário, que estimula o próprio expositor a montar, nas categorias Amador e Amador Master.
As competições da raça, além de promover um constante melhoramento, tanto em termos de resistência física quanto de conformação morfológica e performance funcional, são também responsáveis pela valorização dos cavalos no mercado. A comprovação do bom desempenho em pista habilita os animais ao mérito, o que garante a eles uma projeção diferenciada e, consequentemente, maior interesse comercial. 


Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 193 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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