Devemos Respeitar a Natureza dos Cavalos Sempre!

Devemos Respeitar a Natureza dos Cavalos Sempre!

Por José Luiz Jorge*

Dois conceitos básicos dirigem toda a ação de hospedagem e manejo do Cavalo:

 – “RESPEITAR A NATUREZA DO CAVALO”

– “BUSCAR SEMPRE O EQUILÍBRIO FÍSICO E MENTAL DO CAVALO”

 Quando se trabalha com cavalos, para se obter o melhor resultado por um longo prazo, devemos seguir os dois conselhos destacados acima.

Para respeitar a natureza do cavalo, buscando sempre o equilíbrio físico e mental, para obtermos algum tipo de resultado seja na criação, no esporte ou no lazer, devemos oferecer condições de vida, alimentares e manejo adequados.

Por sua natureza, o cavalo gosta de liberdade, e a melhor forma de criar ou mantê-lo, é em piquetes ou pastagens; mas isto nem sempre é possível, principalmente nos grandes centros, onde o mantemos em baias, que devem ser adequadas, como veremos mais adiante.

Foto: Jacira Omena

Foto: Jacira Omena

 BAIAS

Como queremos ter o cavalo sempre próximo de nós, muitas vezes se torna impossível mantê-lo em piquetes e pastagens, então utilizamo-nos de baias para abrigar o animal.

Aqui, mais ainda, alguns cuidados são importantes de se tomar para tornar a vida do cavalo o mais confortável possível.

Devemos ter cuidados com o tamanho da baia, que deve ter no mínimo 3 x 4 m, sendo ideal 4 x 4. Baias com tamanhos inferiores a 3 x 4, trarão um desconforto muito grande para o animal, o que o levará a um estado de stress que pode comprometer a qualidade de vida e a performance esportiva.

Esta baia deve ser bem ventilada, não exposta a calores excessivos nem a frios intensos ou correntes de ar desagradáveis.

Devemos evitar utilizar telhas de fibro-amianto, exceto se a ventilação for excepcional e o calor não for problema.

O cavalo é um animal muito sociável; ele não gosta de ficar isolado. Para amenizar este problema quando o confinamos a uma baia, devemos fazer com que tenha contato visual com outros cavalos, através de janelas com grades entre as baias e deixando a parte superior das portas das baias sempre abertas (ao menos durante o dia).

No Rancho São Miguel optamos por baias com meias paredes, nas quais eles se veem, se tocam, se cheiram, sentem a paisagem e o ar externo, porque considero uma violência contra o Cavalo as baias “chiques” da maioria dos Haras que conheço, porém fechadas até o teto o que fere a natureza social do Cavalo que, mantido isolado, no escuro, na umidade, sente desconforto, medo e a partir daí passa a ter comportamentos indesejáveis, fruto do estresse do confinamento. Mas, esse regime de baia semiaberta deve ser acompanhado de um manejo correto com períodos regulares de trabalho externo, liberdade em piquetes parte do tempo. 

Foto: RSM

Foto: RSM

Os cavalos devem ser escovados e rasqueados diariamente, quando também efetua-se a limpeza de ranilhas e eles são soltos e exercitados em redondel diariamente. Tomam banho semanalmente ou sempre que acabam de trabalhar e se exercitar se esse trabalho os fez transpirar, com ou sem uso de manta e sela.

 Tipos de Baias

 – Alvenaria: É considerado o melhor tipo de baia para cavalos. Mas este tipo de baia se não tiver tamanho e ventilação adequados e contato visual com outros animais, pode ser inadequado ao animal.

Galpão: É uma forma mais econômica de se fazer uma baia. Constrói-se um galpão, de madeira ou estrutura metálica, coberta, com paredes laterais (de alvenaria ou madeira). As divisões das baias podem ser de alvenaria, madeira ou mesmo com barras de ferro ou madeira, apenas para dividir o espaço entre os animais. São bem ventiladas e com ótimo contato visual entre animais.

Madeira: É um tipo de baia bastante rústica, mas barata e que pode ser muito bem utilizada desde que respeitadas as condições básicas de conforto. Pode ser de tábuas, réguas ou mesmo de costaneiras de eucaliptos. Exige uma manutenção maior, pois o cavalo muitas vezes fica roendo as tábuas, se permanecer muito tempo confinado.

Individuais: São baias para apenas um cavalo. São utilizadas somente para alimentar os animais. Muito importante em propriedades com muitos cavalos, o que facilita o manejo, pois se pode alimentar muitos animais de uma vez. Deve ter um tamanho adequado para o porte do animal a que se deseja alimentar.

Baias Ruins: Devemos atentar para o conforto do animal nas baias, e não os deixar em qualquer cobertura fechada, escura ou úmida, para que não tenhamos problemas de manejo e saúde com o animal.

 COCHO PARA ALIMENTAÇÃO

Pode ser de alvenaria, fibra ou madeira.

Deve estar a uma altura baixa para facilitar o cavalo de se alimentar (lembre-se que o cavalo pasteja no chão, então ele não deve levantar a cabeça para comer, mas sim abaixar), não deve ter cantos para facilitar a limpeza e não acumular alimento.

Lembre-se sempre que ao oferecer uma nova refeição (ração ou capim picado) para o cavalo, devemos retirar todo o vestígio de alimento que porventura possa ter no cocho.

LOCAL PARA FENO

Pode ser uma manjedoura (ferro ou madeira), rede, ou mesmo no chão. O importante é que seja a uma altura baixa, assim como no cocho para ração ou capim. Redes dependuradas ou cochos altos acarretam uma inversão na musculatura do pescoço, afinal, na natureza o cavalo pasteja rente ao chão.

BEBEDOURO

Sempre dentro de uma baia deve ter água disponível para o cavalo.

Pode ser de alvenaria, fibra, um balde plástico ou mesmo uma banheira antiga.

Pode ser bebedouro automático, com boia, manual, onde devemos sempre estar atentos para que não falte água para o cavalo, pois suas necessidades são muito elevadas, entre 25 até 70 litros por dia, no caso de éguas prenhes ou cavalos em trabalho muito intenso.
Devemos limpar periodicamente, pelo menos duas vezes por semana, para que a água esteja sempre limpa. 

COCHO PARA SAL MINERAL

Um pequeno cocho, de fibra, alvenaria ou madeira, deve ser colocado na baia para que se possa deixar disponível, o dia todo, sal mineral de boa qualidade, específico para equinos (as necessidades de minerais são diferentes entre bovinos e equinos; além disso, muitos minerais para bovinos possuem promotores de crescimento que são altamente tóxicos para os cavalos). 
 

CAMA

Item muito importante para dar maior conforto para o animal.
A cama deve ser limpa diariamente, retirando-se as fezes e a parte da cama úmida pela urina, substituindo-a totalmente sempre que necessário (ao menos a cada 15 dias). 

Há vários tipos de cama: 

Maravalha: São raspas de madeira, muito utilizadas para os cavalos. Absorvem muito bem a urina sendo de fácil manejo quanto à limpeza. Nem sempre é possível encontrar maravalha à vontade, mas é uma das melhores camas para cavalo. Uma alternativa pode ser a aquisição de maravalha em fardo, o que facilita o armazenamento do produto, mas não é de fácil aquisição. 

Pó de Serra: É o resíduo da moagem da madeira. Pode ser uma alternativa. Cuidados apenas com Cavalos sensíveis ao pó, para não causar alergias e além disso podem causar doenças respiratórias, não sendo por isso, recomendadas.

Palha de Feno: É muito comum a utilização de feno de gramíneas, que não está apto à alimentação, como cama para as baias. Normalmente são fenos que se molharam, o que provoca o aparecimento de fungos. Devemos sempre abrir estes fardos de feno ao sol, para diminuir o risco de alergias nos animais.

Areia: Muito utilizada em algumas regiões. Deve ser feita com uma excelente drenagem pois, caso contrário, ficará muito úmida, causando desconforto ao animal.

Borracha: É um tipo moderno de cama. São placas de borracha antiderrapante. Traz um inconveniente, pois não absorve a urina, deixando um cheiro desagradável de ureia no ambiente. Para se utilizar este tipo de cama devemos lavar diariamente a baia.

Palha de Arroz: é um material excelente porque não tem pó, como a serragem, é ecologicamente correto porque na esterqueira facilita a decomposição do composto orgânico, não depende de corte de árvores, trata-se da reutilização de produto dispensado pela indústria do arroz e economicamente é muito mais acessível. Há quem diga, ah…, mas o cavalo pode comer a cama, e não é bem assim, se algum cavalo tiver tendência a coprofagia (comer fezes) ou estresse de baia poderia acontecer, mas basta uma borrifada para apenas umidificar com uma solução de água com creolina 1:25 que esse risco acaba. 

DEPÓSITOS

É de fundamental importância para o bem-estar e saúde do cavalo ter na propriedade local adequado para armazenar os alimentos e acessórios do cavalo. 

Depósito de Feno

Deve ser em local de fácil acesso, bem ventilado, protegido do sol direto e da chuva.
Pode-se otimizar as instalações fazendo-se um mezanino acima das baias para se armazenar o feno.
Se for um depósito ao nível do chão, devemos armazená-lo em cima de estrados, ao menos a 20 cm do solo.
Lembre-se que o feno, bem armazenado, pode durar 06 meses, com muito pouca perda de suas qualidade nutritivas.
O cuidado deve ser quando o feno de baixa qualidade umedeceu e secou e ai cria mofo composto por toxinas e nesse caso ele fica enegrecido e deve ser dispensado para a esterqueira. 

Depósito de Ração

Deve ser um local ventilado, com estrados a 20 cm do solo, onde a ração deve ser empilhada ao menos a 10 cm das paredes, protegido do sol direto e da chuva, limpo diariamente com sério controle de roedores para prevenir zoonoses graves. 

Quarto de Selas e Acessórios

Os acessórios dos cavalos (selas, arreios, mantas e cabeçadas) devem ser bem armazenados para que não sejam deformados, estejam sempre limpos, livres de mofo e ser de qualidade profissional, causando as inaceitáveis pisaduras, para não machucar o animal no momento de sua utilização e prejudicar o desempenho do cavalo ou alterar o seu comportamento, você pode comparar o desconforto ou dor, se você usasse uma roupa menor, ou suada e seca ou ainda com uma simples etiqueta te espetando. Com o cavalo se passa o mesmo.
A limpeza e higiene do equipamento é essencial, e você deve periodicamente banhar o couro com óleo de mocotó ou amêndoas para ele estar sempre amaciado.
Evite as velhas barrigueiras de linha ou cordoalha, usadas na roça, dê preferência a barrigueiras de neoprene ou lã que não irão beliscar a pele do Cavalo quando apertadas.
É importante que cada cavalo tenha sua manta individual, evite usar a mesma em diferentes animais, assim com as embocaduras, que cada cavalo deve ter a sua própria. 

Foto:Sgarton

Foto:Sgarton

Farmácia

Uma farmácia, com um mínimo de medicamentos para os primeiros socorros, deve estar sempre disponível. O ideal é conversar com um Médico Veterinário para saber quais são estes medicamentos de primeiros socorros, para higiene e assepsia de machucados, pomadas para contusões musculares ou entorses, seringas, soro fisiológico e antiofídico, produtos para cascos, analgésico e anti-inflamatórios, antibióticos, seringas e agulhas, equipo para soro, entre outros. 

Cuidados com os dentes 

Hoje sabemos mais sobre a natureza, comportamento e fisiologia do Cavalo. Muitos problemas até comportamentais têm sua origem em problemas dentários. Seja a presença do dente de lobo, ou “mesas dentárias” irregulares, assim como no caso dos potros trocas tardias da capa dos primeiros dentes trocadas aos dois anos e meio em média, ou ainda as terríveis pontas de dentes que machucam a boca, fazem o cavalo perder peso, exigem cuidado dentário no mínimo anual por parte de veterinários especializados.
Aqui recebemos para trabalhar e reabilitar Cavalos e algumas vezes a queixa era de que colocada a embocadura o cavalo a ter a rédea acionada levantava a cabeça demais, se defendendo, ou ainda empinavam e derrubavam o cavaleiro. Quando examinados e eliminadas outras causas decorrentes de uma doma malfeita, chegamos à constatação de que o cavalo tinha um dente de lobo a ser extraído ou pontas de dente.

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