Fotos que se destacam – Por Heleno Clemente

Pra vencer esse desafio, fuja do convencional!

Por Heleno Clemente*

Viajar a cavalo com a ideia de fotografar “de tudo um pouco” pode ser um grande desafio. Paisagens, pessoas, animais, ambiente, tudo é motivo de inspiração. Para os não profissionais, o maior desafio é fotografar bastante sem ser repetitivo.     

Minha dica: não se prenda à fotografia tradicional de paisagens, grupos perfilados, enfim, às “cenas obrigatórias”. Mesmo naquelas fotos candidatas a cartão postal, busque enquadramentos diferentes, tenha ousadia na escolha do ângulo, permita-se fotografar de um jeito novo ou nunca experimentado.

Por exemplo, em artigo anterior, sugeri “fotos que contam histórias” do ambiente e das pessoas. Mas, você pode ir além. Entre no nível do detalhe e revele padrões e texturas visíveis apenas para quem rompe a barreira da “distância segura”, entre fotógrafo e fotografado.

Para ver os detalhes, chegue mais perto. Faça um close! 

Dentre as fotos obrigatórias da viagem, você pode fazer outros registros que – com certeza – vão proporcionar uma experiência gratificante. Que tal buscar aqueles detalhes que nem todos prestam atenção?  Isso mesmo, você pode começar registrando a cena com uma visão mais ampla e, depois, ir chegando cada vez mais perto. Afinal, são os pequenos detalhes que revelam mais sobre o assunto fotografado.

Foto: Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

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Foto: Heleno Clemente

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Foto: Heleno Clemente – (Julia Yu, atleta de 3 Tambores)

Aproxime-se aos poucos, escolha o seu ponto de interesse e registre o detalhe. 

Quanto mais você entra na cena com a sua câmera, mais se abre o leque de oportunidades fotográficas. Os cílios de seu cavalo, os detalhes da sela, o trançado da crina, só para exemplo, revelam detalhes de texturas nunca imaginados. E se você me perguntar se isso fica restrito ao uso das modernas câmeras digitais DSLR, a resposta é não. Esse “mundo escondido” está disponível até mesmo para os viajantes que carregam câmeras compactas ou apenas o telefone celular.

close DSLR

Foto: Heleno Clemente

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Foto: Heleno Clemente

Procure este símbolo em sua câmera ou celular. Ele facilita fotografar de perto, muito perto.

Importante dizer que, quanto mais a câmera aproximar do objeto, mais crítica se tornará a profundidade de campo. Isso significa que, em fotos de close-up (ou macrofotografia), a câmera precisa estar o mais perto possível do ponto de interesse. No entanto, ao se fazer isso, a área de nitidez será diminuída (menor profundidade de campo) por razões técnicas das próprias lentes.

Foto: Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

Quanto mais perto do objeto, mais crítica é a profundidade de campo (diafragma / abertura  f/4.5).

Nas câmeras DSLR, é possível conseguir mais profundidade de campo com a troca da lente ou ajustando-se o diafragma (mecanismo de controle da quantidade de luz que passa pela lente e vai ao sensor de registro da imagem). Um exemplo de diafragma (abertura) ideal começa em f/8 ou menor ainda (f/11, f/16 ou f/22).

Desfile Antony - Ana - Loreal

Foto: Heleno Clemente

Veja que o diafragma f/11 aumenta a área de nitidez (profundidade de campo), mesmo assim não coloca tudo em foco. (locação Silverado Botas)

Embora essa recomendação seja inválida para câmeras de celular e câmeras compactas, que não têm controle manual, é importante reforçar que a fotografia em close – com qualidade e nitidez – exige sempre um diafragma (abertura) tão pequeno quanto possível. Da mesma forma, se a recomendação para fotos bem feitas é segurar a câmera com firmeza, desde que satisfeita a preocupação com o enquadramento e demais configurações de controle, na fotografia close-up pode haver a necessidade extra de uma base mais firme, tal qual o uso de um tripé. Também, é essencial que o ponto de foco da lente esteja no centro de interesse da cena. Em primeiro plano ou não, focalize manualmente – se preferir – aquilo que você elegeu como ponto de interesse de sua foto. Como característica, a foto close-up (de acordo com a distância da câmera e a escolha do diafragma / abertura) tem um ponto de foco nítido, enquanto o restante da imagem sofre perda gradativa de nitidez (à frente e atrás).

Desfile Antony - Ana - Loreal

Foto: Heleno Clemente

Em primeiro plano ou não, focalize o ponto que você quer destacar. A foto close-up tem um ponto de foco nítido, enquanto o restante da imagem sofre perda gradativa de nitidez (à frente e atrás, de acordo com a distância e o diafragma / abertura).

Para melhores resultados no foco

A fim de se conseguir maior campo de nitidez, torna-se muito importante o alinhamento dos detalhes da cena fotografada com o plano de foco da câmera. Em outras palavras: mantenha o assunto fotografado o mais paralelo possível ao corpo da câmera. Por exemplo, para fotografar os detalhes de uma espora ou uma flor, alinhe o corpo da câmera no mesmo plano que o do assunto fotografado.

Foto: Heleno Clemente

Foto(a): Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

Foto (b): Heleno Clemente

Diafragma f/11 (a) ou f/16 (b) aumentam a área de nitidez (profundidade de campo) quando o assunto da foto está em paralelo com o corpo da câmera. 

Recomendação final

Preocupar-se com a iluminação é regra para qualquer tipo de fotografia. Mas, como as fotos em close revelam mais detalhes do que estamos acostumados a ver, saiba que a qualidade e a direção da luz influenciam o resultado final. Luz suave ameniza os detalhes e a textura, enquanto a luz mais forte os evidencia. Por isso, o início da manhã ou o fim de tarde são os melhores horários para close-ups em ambientes externos; o sol baixo oferece boa luz lateral enfatizando detalhes com a sua cor dourada.   

Foto: Heleno Clemente

Foto: Heleno Clemente

Fim de tarde é excelente para close-up de pessoas. O sol mais baixo oferece boa luz lateral e enfatiza detalhes com a sua cor dourada. A escolha do diafragma / abertura permite menor ou maior nitidez no fundo da cena. (Antonio Queiroz, jóquei profissional, com o filho Bruno)  

Nota  WikipédiaClose-up, ou simplesmente close, em cinema e audiovisual, é um tipo de plano, caracterizado pelo seu enquadramento fechado, mostrando apenas uma parte do objeto ou assunto filmado – em geral o rosto de uma pessoa. Pode ser obtido por uma grande aproximação da câmara em relação ao objeto ou personagem, ou pelo uso de uma lente teleobjetiva (com pequeno ângulo de abertura e, portanto, grande distância focal).
Utilizado pela primeira vez, na língua inglesa, em 1913, o termo close-up é sinônimo de primeiro plano, grande plano e plano fechado. Sua origem é o duplo significado da palavra close, que em inglês significa tanto fechar (to close) quanto próximo (close to). Por semelhança, o termo passou a ser usado também em outras artes visuais, como a fotografia, os quadrinhos e até mesmo a pintura, caracterizando imagens fixas com enquadramento fechado, e muito particularmente o rosto humano.

Agradecimento especial à Silverado Botas – Campinas, que forneceu os produtos equestres. 

 

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Sobre o Autor

José Luiz Jorge
José Luiz Jorge 6 posts

Trabalha com cavalos há mais de 25 anos. Autor dos livros “Conversando sobre Cavalos” e “Aprendendo com o Cavalo".

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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