A importância da escolha do equipamento correto

A importância da escolha do equipamento correto

Escolhendo o Melhor Equipamento

Por José Luiz*

 

Como em qualquer atividade, física ou esportiva, as atividades equestres também requerem que se escolha o melhor equipamento, tanto para proteção do cavalo, (coluna, musculatura, boletos e articulações e boca), como para o cavaleiro.

Quando agendamos cavalgadas no Rancho, ou mesmo nas clínicas de “Horsemanship”, “imprinting”, escolarização de potros, ou nos cursos para liderança com apoio de cavalos, mais de uma vez, tive que dispensar o cavaleiro por ter se apresentado sem o equipamento básico para a atividade, como por exemplo, não dá para entrar no piquete ou no redondel de bermuda e tênis, assim como não dá para entrar em uma quadra de tênis de jeans e botina, ou no futebol com uma bota cano alto, concordam?

Bom, se separarmos os equipamentos usados no cavalo daqueles usados pelo cavaleiro, vamos começar pelos do cavalo.

Equipamentos Usados no Cavalo

O Arreio

Quando falamos no plural, de todos os equipamentos completos, falamos em arreamento completo, e cada atividade com cavalos –tem o seu, por exemplo, um cavalo de trote ou um atrelado a uma charrete ou carroça, os usados na iniciação (doma de baixo), no treinamento (cada modalidade esportiva tem seu tipo recomendado), na lida de campo, etc.

A escolha tem a ver com o uso do cavalo.

Mas, procure considerar questões como o peso e altura do cavaleiro/amazonas e o tamanho do próprio animal, em termos de altura, comprimento do tronco, pernas e estrutura óssea. É como sua roupa, você tem 1,90 e 90kg, não pode usar uma sela western infantil, tem que ter uma cuja dimensão do assento e regulagem dos loros do estribo lhe sirvam, parece óbvio, mas não é, porque canso de ver em cavalgadas e passeios, pessoas mal posicionadas e se queixando de dores e amortecimentos nos pés, dores nas costas, etc.

Claro que outros fatores, até mesmo a respiração quando montado influi no surgimento de dores, mas o equipamento errado é básico.

Também considere questões de costumes e tradição de cada raça, não se monta em Mula com seleta inglesa, por exemplo, e nem se vai a uma cavalgada ou prova de western vestindo culote, casaca e cartola, que ficam lindos numa prova olímpica de dressage, use o arreamento e trajes típicos e se sentirá bem e confortável.

O melhor equipamento

Foto: Jacira Omena

Evite comprar selas e equipamentos como cabeçadas e embocaduras numa selaria especializada nesta ou naquela modalidade, ou como se entra numa loja de shopping e tanto faz isso ou aquilo.

Antes de ir à compra, leia, estude, observe, saiba o que quer, pintou dúvida, pergunte uma, duas, dez vezes até se sentir seguro, sem vergonha do que o balconista vai pensar… afinal quem vai montar é você. O vendedor da selaria tem que gostar e ter calma e dedicar tempo a quem é novato, sem se importar em rotular o cliente como eu já vi… “lá vem aquele abeia”… se o vendedor estiver impaciente querendo empurrar qualquer coisa, pelo preço, não perca seu tempo, vá a uma outra selaria. Ele deve ser um consultor profissional.

Em selarias profissionais no interior, onde o seleiro fabricante está por lá, eles tomam suas medidas, peso, altura, cumprimento da perna, da coxa, cintura, quadril, o ideal seria que cada sela fosse fabricada sob medida para cada conjunto, determinando-se o tamanho do assento de acordo com o usuário da sela.

O conforto e a segurança do cavalo deve estar em primeiro plano e você com uma fita métrica medir antes o perímetro do tronco na altura da cernelha do animal e nas costas, para comparar na selaria se o modelo de sela dará a abertura suficiente para encaixar nele e não lhe causar pisadura na coluna. Se isso ocorrer você ficará semanas sem montar, por isso, barato nesse tema é caro.

Uma boa manta, um baixeiro profissional com 4 camadas, feltro, borracha e lã, protege de fato as costas e a coluna dele e seu comportamento estará sempre tranquilo…

Imagine você praticando esporte com um tênis ou chuteira dois a três números menores… insuportável depois de minutos, não é mesmo?

Costumamos separar os cavalos pela função, como a lida de campo, cavalgadas e lazer ou esportes e aí em diferentes sub modalidades, como as western (laço, baliza e tambor e apartação), clássico (salto- dressage, CCE), hipismo rural, enduro e provas de marcha.

O melhor equipamento

Foto: Jacira Omena

Como o ser humano, o cavalo pode ser atlético, musculoso, longilíneo ou curto, compacto, isso altera a posição da sela, em cavalos compactos por exemplo, você se senta sobre seus rins, forte ou fraco na sua estrutura morfológica.

Para você ver, antes de escolher equipamento precisa observar e conhecer bem seu próprio cavalo.

Há uma relação direta entre a morfologia e a funcionalidade. Você deve conhecer também um pouco mais sobre os aprumos, se ele tem garupa longa, plana ou derreada, qualidade dos seus apoios, etc.

Tudo na sela tem um porquê.

Vejamos alguns exemplos práticos. O Puro Sangue Inglês, de conformação longilínea, alto e esguio, cavalo de corridas, exige seleta mais leve (tipo inglesa).

Já na raça Quarto de Milha ou mesmo o Crioulo, cavalos fortes e parrudos, com físico de atletas usados quase sempre em galopes seguidos de alto e partida a galope trabalha com uma sela de cabeça e ombros salientes, para facilitar o desempenho do cavaleiro em provas diversas (Tiro de Laço, Freio de Ouro, com esbarradas, Apartação, Três Tambores). O Cavalo Árabe, especialista em provas de regularidade como Enduro tanto pode ser cavalgado com sela Inglesa, Western ou a Australiana, dependendo da atividade. As raças de cavalos de marcha utilizam selas tipo Australiana, com diferenciações no tamanho e altura da patilha, com ou sem para-lamas. Os Lusitanos e Andaluzes (hoje o P.R.E.- Pura Raza Espanhola), nas provas de adestramento, dressage e CCE tanto podem usar a seleta inglesa como selas típicas para a alta equitação, passo doble, piafê, etc.

Na lida de campo, no uso dos muares e cavalos, predomina o uso dos arreios, com modelos que variam de uma para outra região, conforme o costume, com cutianos, banana, com ou sem.

A indústria de selaria hoje no país, movimenta perto de R$ 100 milhões de reais por ano, (segundo estudo do agronegócio Cavalo, coordenado pelo professor Roberto Arruda da ESALQ-USP-Piracicaba) e seu desenvolvimento está ligado diretamente ao maior conhecimento morfológico e fisiológico do Cavalo. Sua base ainda é o trabalho especializado, personalizado e ainda feito por mestres seleiros e seus aprendizes.

Para adquirir equipamentos profissionais, adequados a cada tipo de uso, com qualidade e bem estruturados para um uso duradouro e confortável para o conjunto, costumo recorrer a profissionais seleiros como o José Marques, atrás do Jockey Clube de SP, a Selaria D.A. em Bragança Paulista, a Selaria G.A. em Jaguariúna, ou pela internet, a selaria dias em Curitiba que entrega para todo Brasil, no www.selariadias.com.br.


José Luiz Jorge*

Contato: Rancho São Miguel

 

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