Mangalarga e Altér Real

A origem nobre da raça Mangalarga

Por Jacira Omena*

No texto já publicado aqui sobre a origem da raça Mangalarga intitulado: Mangalarga, Cavalo Nacional – O Início, falamos de alguns fatos que contribuíram para a criação da raça Alter-Real. Foram eles:

– Em 1748, foi fundada a Coudelaria de Altér, em Altér do Chão, no Alentejo.

– O Estatuto da Coudelaria de Altér, estabelecido por D.João I, ordenava que caberia a ela conservar “as raças de cavalos que se acham estabuladas nas terras do estado da Casa de Bragança…para que cheguem a maior perfeição”.

– Em Lisboa foi erguido, em 1762, o Picadeiro Real para abrigar a Escola de Artes Equestres de Portugal, com a finalidade de criar uma linhagem especial de cavalos para equitação e uso dos reis e nobres.

– No período entre 1751 e 1757 chegaram em torno de 300 éguas andaluzes selecionadas nos melhores criadouros espanhóis.

A utilização das éguas andaluzes em cruzamentos selecionados com os garanhões Ibéricos do Picadeiro Real deram origem a nobre raça Altér-Real.

Cavalo-Alter-Real-15

Exemplares dessa raça vieram com a Família Real em sua fuga para o Brasil. E a chegada dela ao nosso país foi fundamental na origem do Mangalarga.

Onde a raça Mangalarga começou a tomar forma?

Todo o desenrolar da história da criação da raça Mangalarga teve como palco o Sul Mineiro do século dezenove. Mais precisamente a região entre Cruzília e São Tomé das Letras.

Mesmo não tendo sido abençoada com minas de ouro e pedras preciosas, essa região foi a maior beneficiada pela proximidade do centro da atividade e localização estratégica entre São Paulo e Rio de Janeiro, por onde as riquezas e mercadorias eram escoadas e aportadas, no porto de Paraty.

Gente que ganhou muito dinheiro com a mineração e comércio investiu na compra de terra para a produção agrícola e pecuária.

A combinação de centro produtor de insumos e localização propícia vocacionou a região para a grande prosperidade.

Foi nas terras desses proprietários de terra endinheirados que a raça Mangalarga começou a tomar forma.

Quando ela surgiu?

Alguns fatos ocorridos no século dezesseis contribuíram para a formação do cavalo mestiço mineiro “antecessor” do Mangalarga. Entre eles, a introdução de raças portuguesas como Garrano, Sorraia e Bérbere no Nordeste do Brasil, em Pernambuco e Bahia, pelos portugueses.

O cavalo mineiro daquela época, século dezenove, já primava pelo conforto, rusticidade, coragem e resistência a longas cavalgadas.

E foi nesse ambiente que vivia a figura de Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas (1782-1868), conhecido por ter iniciado os fundamentos da raça.

O Barão nas suas propriedades fazia a seleção baseada em escolhas genéticas que privilegiavam a marcha de tríplice apoio já característica dos animais da região.

Porém, ele agregou algo mais aos cavalos da região – Porte e Nobreza.

mangalarga_marchador

Faziam parte do seu plantel animais que se destacavam por ter uma cabeça refinada, pescoço levemente arqueado e inteligência superior, típica dos melhores cavalos ibéricos, no caso o Altér Real.

A raça real portuguesa (Altér Real), criada no século 18, passa a fazer parte da história da origem do Mangalarga.

Consta na história da formação da raça Mangalarga que o Barão de Alfenas era proprietário de um garanhão Altér Real, de nome “Sublime”, que ganhou de presente do Imperador. Esse exemplar foi importado de Portugal e proveniente da Coudelaria Real de Altér do Chão.

Mas o fato é que independentemente disso, os criadores do sul de minas tinham a sua disposição exemplares da raça Altér Real a partir da fundação da Coudelaria Cachoeira do Campo por João VI, em 1819, próximo a Ouro Preto. Ela era destinada a melhoria das raças de cavalo, principalmente os exemplares que se destinavam ao exército.

Os exemplares da Coudelaria trazidos de Portugal foram colocados à disposição dos criadores, e muitos utilizaram seus garanhões marchadores mineiros sobre as éguas Altér, como também os garanhões Altér Real sobre as éguas do seu plantel. Essas éguas marchadoras mestiças eram originárias dos primeiros animais trazidos pelos colonizadores, com muito sangue Berbere e Andaluz, e conhecidos pelo andamento mais cômodo, o “trote macio”.

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Foto: Apassionata

Há o registro datado de 1821 de um garanhão marchador de nome “Junqueira” de propriedade do Barão que servia como garanhão na Coudelaria de Cachoeira de Campo.

Estava aí a origem e a primeira composição da raça Mangalarga.

Mas, quando foi que esses exemplares resultado da melhor seleção entre mestiços mineiros e a raça Altér passaram a ser o nosso Mangalarga?

Veja a continuação dessa história no próximo texto a ser publicado aqui em nossa página viajaracavalo.com.br –  A origem do nome Mangalarga!


Curiosidade: O que é coudelaria?

Denominação portuguesa para um centro equestre completo, que tanto cria quanto treina os seus produtos. Este termo também é usado como sinônimo de haras.


 Fonte:

Mangalarga Marchador

Manga-larga Marchador do Brasil – O livro.

Formação do mangalarga

Formação do Mangalarga

 

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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 199 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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