A Moça que o Cavalo Derrubou.

É a versão que corre por aí

Por Jacira Omena*

Contei nas páginas de www.viajaracavalo.com.br, há alguns dias atrás, como eu tive que me jogar do meu cavalo Panga em disparado para evitar um “mal maior”. Já que do “mal menor”, ficar com hematomas, dor nos quadril e costelas por quinze dias, eu não pude correr.

Pois, na semana passada já voltei a me encontrar com o digníssimo Panga para cavalgarmos pelas redondezas da fazenda do meu irmão onde ele tem vida mansa.

Tudo foi tranquilo nesse primeiro encontro. Coloquei ele para se exercitar bastante, subindo e descendo morro para matar à vontade. Enfim, dei uma canseira nele.

Percebi naquela oportunidade, quando peguei uma estradinha de acesso a propriedade vizinha onde normalmente não cavalgo, que o Panga estava assustado e que qualquer coisa na beira da estrada estava fazendo ele refugar. Disse para mim mesma que no próximo encontro iria cavalgar por ali de novo para ir tirando as suas “manhas” aos poucos.

Pois bem, voltei ao Panga nesse sábado!

Peguei a estradinha novamente. Panga pois as suas orelhas em riste e acelerou a respiração. Preparei-me para o primeiro recuo que não demorou a acontecer. Um tonel azul, as margens da estrada, provocou a sua reação. Segurei, cutuquei com o calcanhar e falei “vamos Panga, vamos”. Aproximou-se bufando, viu que nada era, e continuou. Foi assim com uma pontezinha e mais adiante com uns tijolos e telhas alinhadas numa construção. Repeti sempre o mesmo procedimento e ele respondeu positivamente da mesma forma.

E aí, veio uma motocicleta!

Vi ao longe a moto se aproximando, e sabia que ele poderia se assustar. Deixei ela se aproximar mais um pouco para pedir ao motoqueiro para vir mais devagar. Ele parou para eu passar. Mas, eu disse a ele para ele continuar, só que devagar. Assim ele fez até parar ao meu lado, junto ao Panga já tranquilo.

Agradeci e falei que o cavalo era um pouco assustado, e que eu estava tentando tirar as “manhas” dele. E ele saiu com essa:

“Ah! Esse foi o cavalo que derrubou a senhora”?

Dei uma risada – Sim! Foi ele mesmo!

Ele foi embora, e eu continuei a rir.

Em uma frase ele simplificou a minha experiência inédita e apavorante de ter de me jogar de um cavalo desgovernado! Pensei que havia sido uma atitude de coragem!

Não. Eu não me joguei, segundo a versão que corre na redondeza.

A versão diz que foi o Panga que me derrubou!

É fato!

 

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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 193 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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1 Comentário

  1. Wender
    dezembro 30, 16:45 Reply
    Muito bom o blog, parabéns !!!! Siga-me Instagram da Associação @ancem.br

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