Montaigne a Cavalo – O Filósofo

Montaigne a Cavalo – O Filósofo

Montaigne encontrava suas ideias cavalgando.

Por Jacira Omena*

A figura do grande filósofo Montaigne, autor de Os Ensaios, associada ao cavalo pode causar estranheza à primeira vista. Mas logo se dissipa de pronto ao saber que uma de suas biografias, a escrita por Jean Lacouture, chama-se “Montaigne a Cavalo”.

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Divulgação

 

Era assim que ele se deslocava, tanto pelos arredores dos seus domínios quanto por outras regiões da França, Suíça e Alemanha.

Antes de tudo, Montaigne era um viajante que sempre buscou a liberdade e renovação. Em suas viagens, nada era capaz de decepcioná-lo. Dizia – “Os costumes de países estrangeiros me dão prazer pela sua diversidade. Acho que qualquer costume está correto ao seu modo. Tanto faz se me servem em pratos de estanho, madeira ou terra, se a minha carne é assada ou frita, quente ou fria, se me dão manteiga, nozes ou azeitonas”.  Alma de viajante.

Como bom viajante, ele saiu pelo mundo sem levar preconceitos. Arrogância ou opiniões formadas.

Era sobre um cavalo que se sentia melhor e encontrava o seu equilíbrio.

“ Viajar me parece uma atividade proveitosa. A alma então se exercita continuamente em observar as coisas desconhecidas e novas, e como já disse muitas vezes, não conheço melhor escola para formar a vida do que apresentar-lhe continuamente a diversidade de tantas outras vidas, ideias e usos, e fazê-la saborear uma tão constante variedade de formas de nossa natureza”.

Continua – “ O corpo não fica ocioso nem fatigado, e essa agitação moderada lhe mantém o fôlego. Permaneço montado sem apear, doente dos rins como eu sou, e sem me aborrecer com isso, oito a dez horas”.

Além de ver o cavalo como veículo, Montaigne encontra no ato de cavalgar um prazer físico, que une o movimento com a estabilidade dando ao corpo um balanço, um ritmo favorável a meditação. O cavalo não exigia dele muito trabalho, mas não o fazia ocioso, tornava possível ao devaneio. Causava apenas uma “agitação moderada”.

Montaigne encontrava suas ideias cavalgando.

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wikipedia.commons

Depois de muitos anos reclusos em seus domínios, já com idade avançada para a época, 48 anos, e com problemas nos rins, deixou se levar pelo seu espirito de viajante e alma inquieta, e empreendeu uma viagem a cavalo por dois longos anos através da França, Suíça, Alemanha e Itália.

Como resposta para aqueles que tentaram demoli-lo da ideia e perguntava como seria se caísse doente no estrangeiro, dizia: “ Se tiver ruim a direita, vou para a esquerda, se eu não me sentir bem para subir no cavalo, paro. Se eu esqueci alguma coisa, volto – Ainda é o meu caminho”.

Viajando esquece os seus problemas e preenche o seu gosto por diversidade.

“ Não via nada, nem mesmo em sonho e por desejo, a que possa agarrar-me. Só a variedade me satisfaz”

Se lhe fosse dado a escolher a sua morte, Montaigne escolheria “antes a cavalo do que numa cama”.

Morrer a cavalo, em viagem, “longe de casa e dos seus”, Montaigne sonhava com isso”.


Fontes:

Uma Temporada com Montaigne – Por Antoine Compagnon

Montaigne e a liberdade espiritual: Um ensaio – Por Stefan Zweig

Wikipedia.org

 

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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 193 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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