O lado bom de viajar sozinha.

O lado bom de viajar sozinha.

Por Marianne Cambray*

 

Fazer uma viagem a cavalo sozinha: Bom ou ruim?

Por não conhecer nenhuma pessoa próxima a mim que ame suficientemente cavalos para me acompanhar em uma viagem que implica passar 5 a 7 horas por dia sobre a sela, eu frequentemente parto sozinha nesse tipo de viagem.

Na maioria das vezes eu me junto a outras pessoas que se inscrevem para fazer esse mesmo tipo de viagem através das operadoras.

Mas, já ocorreu, igualmente, de eu partir verdadeiramente sozinha!

Em 2010, quando Christophe Lesourd da operadora Cavaliers du monde me avisou que eu seria a única pessoa a ter feito a reserva para o programa de viagem «Le galops de Mogador» no Marrocos, eu hesitei em seguir adiante.

Desde então, outras «viagens solitárias» se seguiram a essa, o suficiente para que eu possa destacar algumas vantagens… e um pequeno inconveniente em assim fazê-las.

Viajar sozinha, é muito bom!

Foto:MCambray

Foto:MCambray

Podemos assumir o nosso lado artista.

Eu adoro fotografia e não hesito jamais em sacrificar uma parte do espaço disponível da minha valise para carregar a minha câmera SRL. Mesmo que não a utilize, caso encontre coisa melhor a fazer com as pessoas que me acompanham…Como tomar um aperitivo ou jogar cartas! Mas, se estou só, não tenho nenhuma desculpa para não sacá-la. Resultado: as fotos que tirei no Marrocos continuam sendo as minhas preferidas (Principalmente as tiradas de cima do cavalo).

Foto:MCambray

Foto:MCambray

Podemos ler (bastante)

Eu escolho cuidadosamente os livros que vão me acompanhar nessas viagens solitárias, e faço a opção por obras que façam eco, de uma maneira ou de outra, as experiências que estou para viver. DALVA de Jim Harrison na Patagônia, LE GOLFE DES PEINES de Francisco Coloane na Terra do Fogo, e recentemente LE VERITABLE HISTOIRE DU GANG KELLY de Peter Carey no Brasil : na verdade a estória se desenrola na Austrália, a aventura de ladrões de cavalos e foras-da-lei me manteve dentro do humor equestre. Que prazer percorrer uma boa estória antes da sexta ou depois do jantar… 

Não necessitamos de “pequenas conversas sociais”

“Não sou contra as pessoas, mas gostaria de poder me abster das obrigações sociais, principalmente numa viagem a cavalo.”

Nesse tipo de viagem, a conversação é em torno das mesmas coisas: no primeiro dia, todo mundo fala da lista de país que já visitou e continua a conversa com as suas lembranças a cavalo.

No segundo dia, passamos as profissões. E a partir do terceiro, abordamos assuntos mais ítios : idade, crianças…Meu trabalho é desinteressante, e a última coisa sobre o que gostaria de falar nas minhas férias. Eu não tenho filhos, e não tenho nenhuma vontade de me adentrar nesse assunto.

Eu tenho um gato, mas eu tenho consciência que ele é muito mais apaixonante para mim do que para qualquer pessoa. Minha situação sentimental as vezes causam perplexidade : sim, tenho um companheiro, não somos casados, e não tenho problema nenhum em viajar sem ele.

Eu nunca tive um cavalo próprio, e minha prática se resume a uma hora de equitação semanal entre os meus 4 e 18 anos de idade.

Resumindo: eu não tenho muito o que contar.

Então, partir sozinha, passar a viagem sem se sentir na obrigação de ter de manter uma conversação, para melhor aproveitar o que o guia tem a contar.

No caso de não falar a lingua? Com algumas palavras de vocabulário, mímicas e ajuda do tradutor do Google, se existir wi-fi, eu aprecio o retorno ao básico : previsão do tempo, como estou me sentindo, se gostei da comida, se dormi bem, se gostei da paisagem e do meu cavalo… Fechar a boca, em algumas situações, é uma oportunidade para abrir mais os olhos e os ouvidos!

 
Foto:MCambray

Foto:MCambray

 

Podemos refletir sobre a vida, e todo o resto…

De natureza contemplativa, eu raramente me aborreço comigo mesma. Não havendo ninguém para conversar, permito-me deixar os meus pensamentos devagar, o que que combina muito bem com os caminhos meditativos das viagens a cavalo.

E sempre me ajuda a ver mais claramente certas coisas que me preocupavam antes de partir. Com consequências inesperadas: eu sempre tom decisões radicais no meu retorno, como mudar de trabalho, de apartamento – uma ou duas vezes – de companheiro !

Tomar o comando

 Quando viajamos sozinhos, não existe nenhum filtro entre nós e todas as ocorrências eventuais durante o nosso trajeto. Não há possibilidade de se esquivar, de delegar determinadas decisões, como eu tenho a tendência de fazer, quer seja por medo ou preguiça. Somos obrigados a tomar controle sobre a situação, e as vezes descobrimos tesouros insuspeitos de desenvoltura. Não há nada melhor para trabalhar a sua auto confiança.

Saímos das trilhas batidas

Algumas coisas são impossíveis de serem feitas em um grupo por razões de tempo ou segurança: pegar uma passagem complicada, fazer um desvio não programado, uma parada não prevista… Contando apenas com dois ou três cavalos para preparar e acompanhar, tanto o guia quanto os cientes se permitem esgueirassem por caminhos menos acessíveis, galopar mais frequentemente, e parar quantas desejarem.

 Todos no mesmo nível.

 Sendo a única pessoa do grupo, você não será retardada por ninguém!

Somos mimadas.

Melhor quarto, melhor cavalo: as vezes é muito agradável ser o objeto de todas as atenções.

 
Foto:MCambray

Foto:MCambray

Podemos comer (e beber) tudo que quiser.

Sim, esse enorme cuscus é para você. Sim, você pode se servir novamente de churrasco. Não, ninguém, nem você, pegará a último pedaço do bolo. Tudo é para você. E se você desejar terminar a garrafa de vinho, faça-o com prazer…

Acreditamos que somos poliglota.

Após três dias de imersão completa na Terra do Fogo, eu já estava com a sensação de ser poliglota apesar de nunca ter estudado espanhol. Entusiasmada, eu comprei o método Assimil no meu retorno a França, mas passadas três lições, ele começou na estante a acumular uma fina poeira sobre a capa. Isso me fez crer que se eu acompanhei todas as conversações lá na Terra do Fogo, foi muito provavelmente pelo efeito do vinho tinto que corria solto.

Somos vistas como aventureiras.

As pessoas ficam geralmente impressionadas por aqueles que viajam sozinhos, mesmo em uma viagem organizada. Quando eu chego em qualquer lugar, sempre desperto a atenção e o interesse, e logo uma avalanche de questões recaem sobre mim. Contar todas as aventuras permite em todos os casos animar as conversas, e a noite passa rápido, o que não deixa de ser agradável.

Mas, viajar acompanhada é melhor!

Quando se parte só, uma vez que se diz ao guia « lindo, né » e, ele rápido e curto responde – sim! Esse é o risco que se pode correr durante a viagem, ou por que ele não é muito falador, ou por que está cansado, o tempo pode se tornar longo e demorar a passar. E não há nada mais frustante do que não ter com quem compartilhar as suas emoções!

O especial de participar de um grupo, é também a oportunidade de fazer amizade com pessoas que você raramente voltará a vê, mas sempre que isso acontece é com um grande prazer. Espero que Jacira, que encontrei em 2011 na Patagônia, não me contradiga!

Foto:Anette

Foto:Anette

 

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