O Tropeirismo – Cavalos & Muares na América

O Tropeirismo – Cavalos & Muares na América

Foto: http://www.asminasgerais.com.br/

 

Por Jacira Omena* e Carlos Solera**

 

Muito recentemente, apesar de “praticar” Viagem a Cavalo já há algum tempo, tive contato através de Sérgio Beck e Carlos Solera com o tema – TROPEIRISMO.

O que tem haver uma coisa com a outra?

TROPEIRISMO é o primórdio dos deslocamentos mais longos com muares e cavalos em todo o mundo, e teve um grande papel na economia e nascimento de cidades no início do Brasil Colônia.

Ainda hoje, em muitas regiões do país não se trata apenas de uma tradição ou folclore, e sim da manutenção da prática pela necessidade em áreas longícuas, como o Pantanal.

Veja um trecho do texto que Carlos Solera me enviou sobre o Tropeirismo, já publicado na Revista Horse, que pretendo publicar aqui por etapas.


O CICLO DO TROPEIRISMO – 1ª PARTE

Carlos Roberto Solera*

 Em meados do século XVI, conquistadores espanhóis aportaram no que é hoje o Peru e subindo para a região andina impuseram praticamente o aniquilamento da civilização Inca, passando a controlar um imenso território que ia da atual Colômbia até praticamente os extremos do Chile. 

Logo em seguida foram descobertas as fabulosas minas de prata e ouro no cerro Rico e cerro do Potosi, região localizada no hoje departamento de Sucre, no sul boliviano, a quase 4 mil metros de altitude, em cujos pés levantaram a cidade de Potosí em 1.546. Esta urbe teve um desenvolvimento esplendoroso, passando a ser conhecida desde o ano 1550, como “Vila Imperial” pelo imperador da Espanha. Em 1.611 já era a maior produtora de prata mundial. E também, umas das maiores cidades existentes na época em todo mundo, com população por volta de 160.000 habitantes, que superava Londres e Paris.

Como havia necessidade do transporte dos minérios extraídos até os portos para serem embarcados à Espanha, usaram-se inicialmente as lhamas ou vicunhas, animais andinos, mas que pelas distâncias e dificuldades de trajeto conseguiam carregar apenas pequenas quantidades de material, com peso máximo por volta de 30 quilos. 

A solução para isso foi trazer do reino espanhol, jumentos da raça ECHÓR, para hibridação sexual com éguas já existentes na região, que passaram a produzir os muares necessários, mulas e burros. Animais híbridos, por serem originários de espécies diferentes, tinham e tem, condições para realizar longas marchas e capacidade de carregar até 120 quilos de mercadorias. 

Mas pela exploração desenfreada desenvolvida pelos hispânicos na ambição de lucro a qualquer custo, após pouco mais de um século de atividade as minas começaram a dar sinais de esgotamentos, apresentando brusca queda de produtividade. Os criatórios de muares, que com intuito de abastecer o sistema de transportes das minas, haviam sido implantados em territórios localizados no Paraguai, Uruguai e Argentina, começaram a ficar com enorme quantidade de animais encalhados, sem ter mercado comprador. 

Cavalos já existiam em território brasileiro, desde que a primeira introdução destes fora feita por Martin Afonso de Souza, em 1531, ao desembarcar uma leva de equinos na hoje famosa Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro.

 No pampa platino eles já habitavam desde a tentativa de fundação da cidade de Buenos Aires, por Dom Pedro de Mendonza, em 1.534 e 35.  

Esses animais cavalares, no entanto, não tinham a resistência dos muares e assim, por influência dos Jesuítas, que no cone sul-americano fundavam dezenas de aldeamentos indígenas chamados Missões ou Reduções, burros e mulas começaram a ser incorporados ali, nas lides do dia a dia dos nativos. 


AGUARDE A SEQUÊNCIA DA HISTÓRIA!


 Fonte

CARLOS ROBERTO SOLERA
Presidente do Núcleo de Amigos da Terra e Água – NATA
Idealizador e Coordenador Geral do Projeto Tropeiro Brasil
Pesquisador sobre a História do Tropeirismo e Formação do Povo Brasileiro
Autor dos livros: Histórias e Bruacas e O Alvorecer do Purunã
 41 3243 0908  41 9226 5170     
Anterior Tornado ou Silver - O Verdadeiro Nome do Cavalo do Zorro
Próximo Minhas Quedas do Cavalo

Sobre o Autor

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

Você também pode gostar de

Textos Editoriais Leia e comente!

Cavalgar – Com que roupa eu vou?

A verdade é que, de acordo com a atividade praticada e as influências culturais de cada região ou país, as vestimentas usadas para quem lida com cavalos, seja no trabalho, esportes ou em cavalgadas, tem algumas peculiaridades que reforçam uma tradição que vem de longe.

Histórias e Tradições 2 Comentários

Cavalhadas no Nordeste (Alagoas): uma tradição que resiste ao tempo

Como sabemos são muitas as tradições que envolvem cavalos e cavaleiros, algumas delas vindas de épocas medievais e até hoje muito presentes em festas populares, como é o caso das Vaquejadas e Cavalhadas. O testemunho dos primeiros cronistas aponta as Cavalhadas no Nordeste como os primeiros acontecimentos folclóricos a cavalo, no Brasil.

Histórias e Tradições Leia e comente!

Dalahorse – O Cavalo Símbolo da Suécia

O Dalahorse ou cavalo de Dalarna (província da Suécia) nasceu em pequenas cabanas ao redor do fogo em noites longas de inverno intenso no interior da Suécia há 400 anos. Cavalos eram talhados em madeira com pequenas facas como brinquedos de crianças. A imagem do cavalo sugeria força e coragem.

Leia e comente!

Nenhum Comentário ainda

Você pode ser o primeiro a comentar esse post!