Pantanal – História e Tradição

Pantanal – História e Tradição

Por Luiz Otávio Carneiro

 

CONHECENDO O PANTANAL

 

Convidado a colaborar com o viajaracavalo.com.br, quero inicialmente convidá-lo a conhecer o Pantanal, pois nessa região se restringem minhas viagens e cavalgadas.

– Peço que não se esqueça de trazer “seu alforge munido com bermudas e roupas de lã, um poncho de leite de mangaba, um chapéu de palha de carandá, um porongo de água fria, uma cuia de mate quente e um sapicoá de guaraná, porque na caminhada iremos pegar sol de rachar, frio de tremer, água de nadar, sede de gemer, vento de secar e chuva de encher” ¹, mas quando por essas campinas estiver cavalgando verás que a “belezura e o encantamento” tomarão conta de seu ser.

– O Pantanal é uma imensa planície localizada na bacia hidrográfica do Rio Paraguai. Com aproximadamente 140 mil km² (equivalente a Inglaterra) e alagamentos periódicos, abrange os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, adentrando-se ainda em territórios Boliviano e Paraguaio.

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Figura 1  Localização geográfica do Pantanal

– Somente após a assinatura do Tratado de Madrid, em 1.750, a região pantaneira deixou de ser de domínio espanhol, momento em que começaram os portugueses a atravessar o Pantanal para alcançar a região de Cuiabá em busca das riquezas de diamantes e ouro. Desta penetração portuguesa temos notícias da extinção do primeiro povoado em terras pantaneiras. Santiago de Xeres era uma fundação jesuítica espanhola fundada em 1.593 e dizimada pelos portugueses com grande massacre de índios e jesuítas.

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Figura 2  Maquete do povoado Santiago de Xerex (Itatim) . http://www.muhpan.org.br/canal.php?id=1

– Com o extermínio de Santiago de Xeres, o Pantanal voltou a ser habitado apenas por seus moradores originais, os índios, principalmente os Guaicurus (cavaleiros) e os Paiaguás (canoeiros) que sistematicamente combatiam todos os forasteiros, fossem espanhóis ou portugueses; e com o crescente aprimoramento da arte de guerrear dominavam as outras tribos existentes na região. São inúmeros os relatos históricos sobre os combates e saques destes sobre expedições que tentavam atravessar o Pantanal para alcançar as minas de Cuiabá.

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 Figura 3  Ilustração de índios Mabaya-Payaguá (os índios canoeiros) em combate com forasteiros

– Em 1.778, já sob domínio português, fundou-se a primeira cidade em solo pantaneiro, denominada inicialmente Nª Srª de Albuquerque, apenas um destacamento militar, transformou-se em Corumbá, que devido sua posição geográfica a beira do rio Paraguai tornou-se um dos mais importantes portos fluviais do Brasil exercendo papel preponderante ao desenvolvimento de todo oeste brasileiro, e considerada até hoje a Capital do Pantanal.

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Figura 4  Esquema do povoado de Albuquerque (1.778)

– O desenvolvimento da navegação, o crescimento econômico e a expansão de Corumbá coincidiram com a exaustão das minas de Cuiabá e região. De solo pedregoso, impróprio para agricultura e pecuária, a região cuiabana não oferecia opção senão que seus habitantes buscassem outras regiões para seu crescimento econômico e social.

– Aproveitando essa situação e avaliando o fato de haver “roubado” para desposar uma menina nobre com 13 anos de idade, Joaquim José Gomes da Silva (meu tetra avô) mudou-se para Corumbá em 1.845. Em novas terras e novos ares, sua capacidade empreendedora se destacou. Inicialmente requereu terras, criava gado, plantava arroz, feijão, milho etc. para abastecer o povoado.

– Em 1.856, com o estabelecimento do “Transito Livre do Rio Paraguai”, deu escoamento a sua produção e expandiu seu patrimônio, alargando suas fronteiras atravessou o Rio Paraguai e fundou a primeira fazenda na margem esquerda do rio, Fazendas Palmeiras. Transformou-se no mais bem sucedido pecuarista da região.

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Figura 5 – Quadro de Joaquim José Gomes da Silva, em 1.862, quando recebeu do Imperador o Título de Barão de Vila Maria.

– Em 1.864 iniciou-se o maior e mais sangrento conflito em terras brasileiras, a Guerra do Paraguai deixou feridas até hoje não totalmente cicatrizadas na região pantaneira. Corumbá foi a cidade que mais sofreu essa guerra. Invadida em janeiro de 1.865, ficou por dois anos e meio sob domínio paraguaio, seu comércio foi saqueado, sua população presa e levada para trabalho forçado em terras paraguaias, as mulheres eram requisitadas pelos militares, as fazendas invadidas tendo sua produção embarcada e transportada em navios para abastecer o contingente militar, o Império não mandava reforços, tudo era abandono e devastação.

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Figura 6 – Charge que representa o Ditador Solano Lopez pousando sobre cadáveres brasileiros.

– Joaquim José perdeu a totalidade de seu patrimônio e após perder um de seus filhos em batalha, acompanhado da esposa, o filho Joaquim Eugenio e alguns empregados foi a cavalo para o Rio de Janeiro solicitar providencias ao Imperador.

– Ficou assim, conforme aconteceu com Santiago de Xeres, mais um período de desocupação econômica no Pantanal.

– A reocupação iniciou-se anos mais tarde com o filho sobrevivente de Joaquim José.

 

 

 

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