Santiago de Compostela – Bruna e Rodrigo Cunha – Alegria Peregrina

 

santiago de compostela

Vamos as respostas de Bruna Cunha sobre a sua viagem a cavalo pelo Caminho Francês de Santiago de Compostela!

1 – Sei que viajam muito para toda a parte e por diversos motivos. Decidiram dessa vez fazer uma viagem a Santiago de Compostela, que para muitos é uma decisão de vida, até emblemática, e ainda mais, resolveram fazê-la a cavalo, coisa que nunca haviam feito antes. O que tinham na cabeça quando resolveram fazer isso?

R. Olha, sinceramente nem sei o que te dizer… já pensei e repensei e eu realmente não sei o que tinha na cabeça quando tomei esta decisão! Primeiro por que para falar a verdade eu não tomei decisão nenhuma! Hahahahaa… Meu marido “comprou” a viagem e me comunicou! Eu, estava achando uma loucura, mas ué por que não? Sempre quis muito fazer o Caminho de Santiago. Acredito que destinos religiosos/espirituais tem MUITA energia e isso me atraía muito à Santiago. Fora isso, durante a minha adolescência tive MUITA intimidade com cavalos e apesar de isso já fazer tempo não tenho medo nenhum. Hoje temos cavalos, mas nunca monto. Fui apreensiva, tenho que falar a verdade. Por não saber se o cavalo (depois de tanto tempo) ia mandar em mim, por não conhecer ninguém do grupo, pelos desafios do caminho… Sendo sincera MESMO? Fui MUITO apreensiva! Hahahahahahahaa…. Mas valeu TANTO que faria tudo de novo mil vezes!

2- O cavalo – ele – que peso teve no resultado final dessa viagem? Atrapalhou? Ponto de estresse? Acrescentou? Fez diferença em relação as outas viagens?

R. Só não te digo que o cavalo foi o ponto MAIS importante da minha viagem por que não quero ofender o caminho e nem os amigos da viagem! Hahahahahaha…, mas FOI! Na chegada subi tensa, minha égua tinha dificuldade em se adaptar a novas situações (assim como eu), então, a cada chegada de um novo cavalo no grupo sofríamos um processo de adaptação (juntas) que rapidinho passava! Se eu tive medo? TIVE! Medos das descidas e das subidas, dos buracos e dos penhascos! Teria sentido medo de tudo isso se tivesse feito o caminho a pé, mas de cima de um cavalo existia a questão de nós duas termos que estar em sintonia para eu me sentir segura. Afinal, era ela que nos levava! E foi tudo perfeito! No dia que o grupo aumentou significativamente ela me deu tanto trabalho que eu achei que não fosse conseguir! Já estava lá há 5 dias e neste dia me senti insegura, mas, mais uma vez a gente se entendeu e deu tudo certo! Vencer todos esses obstáculos foram vitórias IMENSAS que o caminho me proporcionou. Como todos do grupo já sabem, sou louca por animais e MUITO chorona! Me apeguei a ela, me senti MUITO acompanhada o tempo todo e tive uma dificuldade tremenda em me despedir dela. Chorei. É uma relação de muita cumplicidade que a gente desenvolve. Linda e inexplicável!

3 – Normalmente, viajantes independentes escolhem seus grupos de viagens, e partem para uma programação específica. Nesse caso, vocês se inscreveram para fazer um tipo de viagem que nunca haviam feito, e com pessoas que vocês nem podiam imaginar. Ansiosos, a princípio, em relação a isso? Foram surpreendidos pelo grupo?

R. Nós viajamos MUITO e poucas vezes fizemos viagens em grupo. Eu senti sim uma ansiedade grande em relação a isso, mas passou tão rápido que agora, olhando para trás, não sei te dizer quanto tempo durou esta ansiedade! Hahahahahahahaha…. viramos um grupo “família” muito rápido! E isso foi acontecendo cada vez que o grupo crescia novamente. Nos demos todos muito bem, cada um sempre dando apoio aos medos ou problemas que o outro enfrentava… a socialização de remédios para dor, pomadas para os roxos, colírios e etc. aconteceu sem cerimônia desde o primeiro minuto! Hahahaha…. Rimos MUITO desde o primeiro “oi”. Sinceramente, foi demais! Chorei nesta despedida também. Mais uma benção do caminho!

4 – Percebi dia a dia a transformação das pessoas que estavam fazendo a viagem a cavalo em direção a Santiago de Compostela, e não foram as transformações que as pessoas estão acostumadas a falar a respeito do Caminho. Talvez, por que poucas delas a fazem a cavalo. Em vez de cansaço, vi leveza. Em vez de introspecção, vi euforia. Em vez de busca de solidão, vi vontade de ficar juntos e relaxar ao final do dia. Na chegada, em vez de choro, vi exultação, vibração e alegria. Que pensas sobre isso? O cavalo? O grupo? O Caminho, porém, a cavalo?

R. Eu falo sobre isso com propriedade pois vi essa mudança em mim mesma (e em muitos outros também). Acho que o responsável por tudo isso é o conjunto: caminho+cavalo+grupo, pois acredito que sozinhos cada um desses ingredientes não teria o poder de trazer este resultado maravilhoso. Acho que o caminho traz introspecção em diversos formatos sim, dependendo da pessoa e também da forma que esta decide fazer o caminho. Vimos muitos peregrinos a pé e de bicicleta, estes sempre bem mais em silêncio do que nós. Te digo que mesmo falando (sem parar) eu pensei muito em muita coisa. Houve introspecção, mas da melhor forma, pois fazendo o caminho a cavalo o cansaço e o esforço existem, mas são diferentes. Tem dores no corpo e esforço? Tem sim, mas é diferente, você tem razão, “é leve”. Ninguém de nós estava massacrando os pés como fazem os peregrinos que fazem o caminho a pé e nem concentrando olhando a estrada como tem que fazer o tempo todo os que o fazem de bicicleta. Estávamos alguns com dores nos joelhos, outros com dores nas costas, mas todos podendo olhar tudo de cima e agradecer a Deus! Tivemos muito tempo para pensar sim. E a cavalo, além de termos uma vista privilegiada 100% do tempo, “sobra” também tempo para descontrair; conversar; dar risada; relaxar; dividir pensamentos e experiências. Ou seja, formar “o grupo”, descobrir afinidades; ter vontade de dar risada juntos no fim de cada dia;, acordar no dia seguinte com vontade de fazer tudo de novo! Foi a combinação mais perfeita!

5 – Viajarás de novo a cavalo? Gostaria que falasse livremente sobre essa recente experiência. 

R. Se eu viajarei de novo a cavalo? SIM!!!!! Te digo que foi tão perfeito que dá até medo de estragar uma próxima! Imagina se vier “um chato” no grupo?! E se o cavalo não me amar como ela me amou???? Hahahaha…. Brincadeiras à parte: SIM, viajarei de novo a cavalo com certeza e MUITAS vezes! Provavelmente sentirei todas as ansiedades de novo, e na hora de ir embora chorarei todas as lágrimas de novo e assim vou olhar para trás e dizer “AMEI! VALEU A PENA!” Assim como tenho dito todos os dias quando me perguntam!


Branca Octaviani que participou dessa mesma viagem a cavalo fez um depoimento sobre ela – Confere lá!  Depoimento – Branca Ottaviani


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Sobre o Autor

Jacira Omena
Jacira Omena 215 posts

Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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